Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Diário de bordo (19 junho 2012)

19 de junho de 2012

Há dias o jornal “Meios&Publicidade” e hoje o “Sol” tentaram saber quais os investimentos de Record para o Europeu e que perspetivas de receitas havia, tanto em vendas como em publicidade.

Ao contrário do que é meu hábito – já que passo a vida a responder a perguntas e gosto de paredes de vidro – recusei os inquéritos porque sei que esse tipo de reportagens constitui, não por culpa dos jornais, uma feira de vaidades onde não pretendo exibir-me. Não vivo de aparências e menos ainda de jactâncias, só me interessa a realidade. 

Aproveitando a oportunidade, o diretor de “A Bola” anunciou ao “M&P” mais um glorioso feito do seu jornal: o envio ao Europeu de cinco jornalistas da escrita, mais dois repórteres fotográficos, mais dois profissionais da BolaTV, num total de NOVE pessoas! E não o fez de ânimo leve, já que revelou que o investimento foi “muito elevado” e que  “A Bola” seria “o órgão de comunicação com mais jornalistas no terreno”.

Depois de ter sido o jornal nacional que vendia mais e ter deixado de o ser (de há muito que é o CM), depois de ter sido o diário “desportivo” que vendia mais e ter deixado de o ser (de há muito que é o Record), depois de ter sido o “desportivo” com mais leitores e ter deixado de o ser (de há muito que é o Record), depois de ter sido o “desportivo” com maior tiragem e ter deixado de o ser (de há muito que é o Record), depois de ter sido o “desportivo” com maior faturação de publicidade e ter deixado de o ser (de há muito que é o Record), depois de ter sido o órgão de comunicação português com maior número de páginas vistas na edição online e ter deixado de o ser (desde novembro de 2011 que é o Record), depois de “grandes apostas” – na Madeira, na Europa e em Angola – que deram no deserto que está à vista, depois da Bola TV, que pouca gente vê e cuja rentabilização é mais do que duvidosa, e continuando a ser o único título de circulação nacional a não se deixar auditar para poder dizer que vende o que não vende, “A Bola” é de novo líder de algo: agora, de número de jornalistas a acompanhar o Europeu. Como se isso não tivesse custos e lhe trouxesse algum aumento de receitas!

Entretanto, tomando por exemplo a edição de hoje, verifica-se que o único “jornalista da escrita” que mandámos derreter dinheiro para o Europeu fez sete páginas do Record, contra as seis produzidas pela numerosa comitiva de “A Bola”, ou seja, a nossa contenção de recursos humanos e financeiros em NADA prejudicou o leitor. E não era preciso comparar as edições do dia, os leitores conhecem bem as diferenças… todos os dias.

E quanto aos números que
“A Bola” esconde, acabamos de saber, por alguém com acesso à
distribuição, que imprime à semana, em Lisboa, entre 30 e 35 mil exemplares,
sendo a tiragem atual do Record, igualmente nos dias úteis e em Lisboa,
auditada pela APCT, nunca inferior a 60 mil exemplares (61.145 hoje mesmo). 

Moral da história: como a matemática é
uma ciência exata, alguma coisa vai ter de acontecer. Pelo que resistir,
insistindo na qualidade do Record, no combate pela criatividade e contra o
erro, continua a ser a nossa palavra de ordem.

(Nota – partilhado com a direção e a chefia)