Devia o piloto ter levado o avião para o mar?

É chocante saber que duas famílias regressaram a casa, após um dia de praia que se julgava tranquilo, sem uma filha ou sem um avô, como sucedeu na Costa da Caparica – senhores jornalistas, deixem lá o “de” para a Póvoa de Varzim, vejam o Ciberdúvidas, aprendam.

Por outro lado, é injusto não aceitar que o piloto já não conduzia um avião, antes uma máquina desgovernada que procurava o chão a quase 200 km/hora. Devia ter tido a grandeza de atirar o Cessna para o mar, arriscando a sua vida e poupando inocentes? Eis uma pergunta a que só poderíamos responder se enfrentássemos o mesmo drama em idênticas circunstâncias. A escolha do martírio tem pouco de humana.

Faço este comentário em contracorrente, já que o instrutor de voo é alvo de condenação generalizada, em especial por parte dos que tiraram agora cursos rápidos em técnicas de aterragem e falam do que não sabem. Mas confesso-me incomodado pela postura do piloto, que vi nas imagens da TV a dirigir-se ao edifício do tribunal com um ar de total descontração, trocando até sorrisos com outro cavalheiro. Como se fosse lá dissertar sobre um incidente banal e não tivesse acabado de matar duas pessoas. À saída, “finta” os repórteres, mas não uma câmara espevitada que o mostra a conduzir um carro ao melhor estilo de siga para bingo – uma pobre figura.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 5AGO17

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