Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Denúncia de um crime que nada tem a ver com o futebol

From: Rafael Dias [mailto:rafaelmdias@hotmail.com]
Sent: quinta-feira, 21 de Abril de 2011 15:16
To: Record
Subject: FW: NOTÍCIA – Adepto do Benfica atropelado por um do Porto

Olá,
 
Como a Cofina é uma das principais empresas de media portuguesas queria partilhar com vocês um acontecimento gravissimo que aconteceu ontem, em dia de derbi. Ocorrência que podem confirmar com as autoridades. A minha intenção é que se acharem relevante incluirem nas vossas notícias.

Escrevi o seguinte texto no meu Facebook que explica tudo (podem procurar-me por rafaelmdias@hotmail.com – Rafael Dias)

“Se acham que o futebol é isto, então odeio este vosso desporto!

A violência no futebol não é de agora, mas tem vindo a acentuar-se. Já apanhei alguns sustos em idas a Alvalade sempre com a polícia a demonstrar a sua vontade imensa em actuar (supostamente para não haver incidentes) ou em confrontos entre claques (supostamente para dar apoio aos seus jogadores), mas nunca tão chocante como hoje! Hoje, dia de dérbi, aconteceu então o maior susto! Marcará incontornavelmente qualquer imagem que tenha de um jogo de futebol (supostamente de festa, alegria e convívio).

Cinco amigos deixam o carro em Telheiras duas horas antes do jogo e vão a pé para o estádio num ambiente descontraído, com sorrisos e também de optimismo pelo resultado. A meio da deslocação acontece o que contado parece impossível: um carro a alta velocidade sobe o passeio onde eles se encontravam atropelando um dos cinco amigos.

Escusado será dizer que esse carro vinha com cachecóis alusivos do ‘eterno rival’ (supostamente desportivo) e que fugiram de imediato. Um resultado de um jogo deixou naquele momento de ter importância para eles, o futebol deixou de ser importante para eles, porque estamos a falar da vida de alguém que foi posta em perigo devido a um CRIME sustentado pelo cachecol que se tem ao pescoço.

“Se tens um cachecol diferente do meu, então eu odeio-te”, é por esta filosofia completamente instalada no mundo do futebol que como adepto assíduo nos estádios assumo que tão cedo não participarei mais nesta festa.

E já no estádio a mesma batalha campal de sempre! Enfim, nem vale a pena dispersar mais.

Quem assume o papel de comunicar publicamente algo, assume automaticamente também as responsabilidades das consequências da sua acção. Ou seja, estou longe de querer suscitar qualquer sentimento de vingança por ter acontecido o que aconteceu com um amigo nosso! Quero sim, que reflitam neste episódio que expressa uma mentalidade presente por este país fora como algo que se deve lamentar e condenar, mas não com a mesma moeda.

Desculpa Rúben Coelho, eu juro que tentei ver a matrícula, mas não consegui…”

Nota: A juntar a este texto posso acrescentar que um dos 5 amigos era o pai do Rúben.. .o desespero e a revolta que o pai sentiu ao ver o seu filho atropelado foi algo que não me sai ainda da cabeça.

Podemos falar em sorte visto que ele neste momento está bem e vai ao Hospital só para se certificar que desta tentativa de homicídio só resultou ferimentos superficiais e dores no ombro esquerdo.

Obrigado pela atenção,

Rafael Dias