De Lisboa a Díli, um abraço de irmãos

A apoteótica recepção dos lisboetas aos campeões europeus de futebol não foi organizada: bastou a divulgação do percurso do autocarro para que largos milhares de pessoas viessem para a rua aplaudir a comitiva, primeiro entre o aeroporto e Belém, depois no trajecto até à histórica Alameda D. Afonso Henriques, símbolo da cidade por outras batalhas. Despido de interesses políticos ou religiosos, de género ou de raça, o êxito futebolístico – e antes dele o apoio crescente ao que se foi transformando em desígnio nacional – a todos mobilizou de forma espontânea.

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Há mais de duas décadas que o País se unira em torno de um objectivo, mais propriamente desde que as atrocidades dos indonésios em Timor Leste – mediaticamente iniciadas com o massacre de Santa Cruz, em 1991 – fizeram tocar a rebate os sinos da consciência colectiva. E essa união ficou expressa, de forma também espontânea, a 10 de Setembro de 1999 – dias após o referendo em que os timorenses escolheram a independência – com o Nobel da Paz e bispo de Díli, D. Ximenes Belo, a ser triunfalmente recebido na capital.

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Tive a felicidade de viver na rua esse momento, e vieram-me agora as lágrimas aos olhos ao ver Xanana Gusmão, líder histórico do povo irmão, a festejar, em Timor, a conquista da Selecção portuguesa. Como se fosse sua – e era.

Parece que foi ontem, Sábado, 21JUL16

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