Crónicas da Sábado – A propósito de 500 (500.ª edição)

500. Edições da SÁBADO. Fui responsável, com muitos companheiros de redação, por quase 3 800 edições de Record e por outros milhares ao longo da carreira, pelo que sei bem que enviar para impressão as cinco centenas que ora se completam, para mais com a qualidade a que esta revista habituou os seus leitores, significou que dezenas de jornalistas, técnicos de apoio e profissionais de diferentes áreas da Cofina trabalharam muito, com rigor e total empenhamento. O próximo objetivo, já em maio, é comemorar o 10.º aniversário com a mesma competência e o mesmo entusiasmo.

3. São os diretores que a SÁBADO já regista na sua curta história. Esta é a primeira edição da responsabilidade de Rui Hortelão, que sucedeu a Miguel Pinheiro, que por sua vez substituiu João Gobern. Não nasceu por acaso o sucesso da SÁBADO, pois qualquer desses jornalistas é do melhor que temos em Portugal. A seguir, perfil, opções, tempo e circunstâncias determinam o resto.

0. É a nota que espera educadores de infância e professores dos ensinos primário e secundário se, na prova de avaliação, derem 10 ou mais erros ortográficos. Confesso que ainda hoje não lhes escapo, mais desde que passei a aplicar o novo acordo e quase sempre porque, tendo dúvidas, me deixo ficar. Mas admitir, e por isso o Ministério da Educação criou a norma, que há educadores (?) capazes de entrar para o Guinness por darem erros a esse nível, diz tudo sobre a situação a que chegou o nosso ensino. O ensino e o resto.

125 000. São os euros penhorados por dia a pensionistas, por ordem dos tribunais, segundo o Negócios. Sobrecarregados pela tripla aliança mortal – não atualização das pensões, aumento do IRS e cortes sucessivos – os reformados entram em insolvência depois de terem assumido, por eles e por filhos ou netos, normalmente desempregados, compromissos que já não conseguem honrar, ou apenas porque os valores que recebem deixaram de chegar para supermercado, água, luz e farmácia. Seja pelo que for, é uma tragédia.

50,7. Milhões de euros foram os lucros dos CTT em 2012, prevendo-se que este ano exista alguma quebra, mas que o resultado final fique acima dos 40 milhões. Quer isso dizer que a privatização de 70% de uma empresa vital para o país fará com que, para faturar agora cerca de uma dezena de anos de exploração, o Estado perca uma importante fonte de rendimento. Que raio de lógica é esta? Por outro lado, a aparente não existência de um parceiro estratégico, que perceba do negócio, deixa nas mãos dos 30% de capitais públicos a gestão do privatizado. Portugal não tem ponta por onde se pegue.

25. De novembro. Passaram 38 anos sobre a data em que António Ramalho Eanes coordenou no terreno os militares que apoiaram o Grupo dos 9 e que garantiram o respeito pelos princípios democráticos do 25 de abril. Distinguido esta semana, o homem que recusou marechalato e salários retroativos permanece como exemplo do melhor que resiste ainda na terra dos bandidos: o mérito e a probidade. Mais Eanes houvesse e não estaríamos assim.

Observador, publicado parcialmente na edição 500 da Sábado em 28NOV13 

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