Crónica a retalho: Jesualdo, Van der Gaag, Vítor Pereira…

 

1. Uma primeira palavra para Jesualdo Ferreira e para o conforto que sinto de o ver, aos 66 anos, aceitar com êxito, no Sporting, um dos mais difíceis desafios da sua carreira. Veja-se a forma como o Bayern tratou Heynckes, anunciando Guardiola já em janeiro e considerando assim imprestável o ex-treinador do Benfica, de… 67 anos. E contrariamente à maioria dos sportinguistas, assustada com a debandada de jogadores do plantel, acho que o trabalho de Jesualdo só pode beneficiar com isso: menos estrelas cadentes e menos preguiça, mais jovens talentos com mais oportunidades e maior motivação. 
2. Só posso reconhecer que me enganei quando, no início da época, escrevi que talvez Van der Gaag não fosse o treinador certo para o Belenenses por – achar eu – não conhecer suficientemente as “virtualidades” do nosso futebol. Afinal conhece, isso e o resto, e a sua competência está à vista. Só posso lamentar que não fique no Restelo por muito tempo e que tenha valorizado “demasiado” jogadores como Matt Jones, Kay, Tiago Silva, Arsénio ou Diawara, que em breve estarão de saída. Mas antes haja anéis. O clube do Restelo está como o país: gastou o que não devia e faliu. Agora, é tempo de apanhar os cacos e partir para outra.
3. O futebol português tem singularidades inigualáveis. As meias-finais da Taça de Portugal são a única eliminatória a duas mãos porquê? Para reduzir as hipóteses das equipas mais fracas – que terão maior dificuldade em “enganar” duas vezes as mais fortes – chegarem à final? Mas quando se marca a primeira mão para 30 de janeiro e a segunda para 17 de abril (!) está tudo dito: é o absurdo que manda. 
4. Já aqui elogiei Vítor Pereira, não agora ou quando foi campeão, mas quando as coisas não lhe corriam tão bem. Só o facto de não pertencer à trupe autorizada a exercer merece simpatia, mas a sua personalidade é também interessante. De cabeça perdida na parte final e nos momentos seguintes ao clássico, o que não lhe é habitual, teve depois a coragem de se desculpar, assumindo que se excedeu. Chapeau! 


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Uma primeira palavra para Jesualdo Ferreira e para o conforto que sinto de o ver, aos 66 anos, aceitar com êxito, no Sporting, um dos mais difíceis desafios da sua carreira. Veja-se a forma como o Bayern tratou Heynckes, anunciando Guardiola já em janeiro e considerando assim imprestável o ex-treinador do Benfica, de… 67 anos. E contrariamente à maioria dos sportinguistas, assustada com a debandada de jogadores do plantel, acho que o trabalho de Jesualdo só pode beneficiar com isso: menos estrelas cadentes e menos preguiça, mais jovens talentos com mais oportunidades e maior motivação. 

2. Só posso reconhecer que me enganei quando, no início da época, escrevi que talvez Van der Gaag não fosse o treinador certo para o Belenenses por – achar eu – não conhecer suficientemente as “virtualidades” do nosso futebol. Afinal conhece, isso e o resto, e a sua competência está à vista. Só posso lamentar que não fique no Restelo por muito tempo e que tenha valorizado “demasiado” jogadores como Matt Jones, Kay, Tiago Silva, Arsénio ou Diawara, que em breve estarão de saída. Mas antes haja anéis. O clube do Restelo está como o país: gastou o que não devia e faliu. Agora, é tempo de apanhar os cacos e partir para outra.

3. O futebol português tem singularidades inigualáveis. As meias-finais da Taça de Portugal são a única eliminatória a duas mãos porquê? Para reduzir as hipóteses das equipas mais fracas – que terão maior dificuldade em “enganar” duas vezes as mais fortes – chegarem à final? Mas quando se marca a primeira mão para 30 de janeiro e a segunda para 17 de abril (!) está tudo dito: é o absurdo que manda. 

4. Já aqui elogiei Vítor Pereira, não agora ou quando foi campeão, mas quando as coisas não lhe corriam tão bem. Só o facto de não pertencer à trupe autorizada a exercer merece simpatia, mas a sua personalidade é também interessante. De cabeça perdida na parte final e nos momentos seguintes ao clássico, o que não lhe é habitual, teve depois a coragem de se desculpar, assumindo que se excedeu. Chapeau! 

Canto direto, publicado na edição impressa de Record de 19 janeiro 2013

 

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