Cristiano Ronaldo e Rafa Nadal também são vítimas do coronavírus

Na China, a Covid-19 começou a regredir porque as pessoas foram entaipadas em casa e as que ousavam sair dormiam na cadeia – antes ou após receberem a saudação democrática que se calcula. Democrática, mesmo, a Coreia do Sul, por seu lado, dominou a fera através das medidas de persuasão exercidas pelas autoridades sobre uma população altamente civilizada, que de imediato acatou as instruções de “recolhimento social”, e outras, como ontem explicou aos leitores de Record, José Morais, treinador do Jeonbuk, o tricampeão coreano.

Por cá, nem os trágicos exemplos da Itália, primeiro, e a seguir da Espanha, nos levaram a agir rapidamente e sem contemplações. As normas vão saindo aos soluços, como aconteceu com a dos bares, que na sexta-feira eram para ficar condicionados só na segunda, e logo no sábado passaram a ter de encerrar às 21 horas – talvez porque o Governo se surpreendeu (?) com os beberrões que fizeram um festim da noite do Cais do Sodré e adegas similares. Hoje, chegará uma espécie de “upgrade” dessa treta que é o “estado de alerta”, que deixará a funcionar estabelecimentos de risco para a saúde de colaboradores e clientes, manterá praias abertas, e resistirá à quarentena e ao “fechar tudo”, única forma de suster o animal. Adianta pouco reclamar, é verdade, iremos morrer assim – espero só que de velhice e não por causa do coronavírus.

No desporto, sobram as dúvidas. Como se apurarão campeões e despromovidos? O que irá suceder à fase final do Europeu de futebol? Liga dos Campeões e Liga Europa conseguirão concluir-se? Haverá Jogos Olímpicos? O que acontecerá à Liga das Nações? Fora do “achódromo” de cada um não existem respostas.

Na área da competição, não faltam vítimas e Cristiano Ronaldo é uma delas. Entre partidas de preparação e do Europeu, o craque madeirense perderá cerca de uma dezena de jogos da Seleção e outros tantos golos. Na Juventus, poderá não ser campeão de Itália, não lutará para ser o melhor marcador, dirá adeus à Champions e terminará a época, que lhe estava a correr bem, apenas com 25 golos, o pior desempenho desde 2007. E podia bem passar dos 40! Aos 35 anos, a lenda de CR7 será retomada, mais mês menos mês, mas para os efeitos maléficos deste interregno não haverá recuperação possível.

Grande prejudicado com a paragem forçada é também outro ilhéu, Rafael Nadal, o competidor por excelência que contava com um décimo-terceiro (!) triunfo em Paris, em maio, para igualar o arquirrival, Roger Federer. O campeão suíço soma 20 torneios do Grand Slam, mais um que o balear. E tudo indicando que não haja Roland Garros – com o seu piso de pó de tijolo, em que Nadal é o maior especialista do Mundo – será improvável que Rafa consiga, aos 34 anos, e em prova diversa do circuito, “apanhar” Federer. Até porque há ainda Djokovic, com 17 títulos, outra vítima da suspensão do ténis a disputar a coroa. A vida é uma caixa de surpresas.

Outra vez segunda-feira, Record, 16mar20

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