Costinha, o profeta

Após o jogo de terça-feira, Costinha não foi feliz na sua intervenção na sala de imprensa. Desde logo, na forma, ao impedir que Carlos Carvalhal dissesse também de sua justiça e ao reservar para si o exclusivo das luzes da ribalta. Não achei bonito.

Mas o mais dececionante foi ainda o conteúdo das suas declarações, com frases feitas de nulo impacto, como essa da exigência de respeito pela “grande instituição”, algo de óbvio. Quando se faz uma única declaração, para mais em direto, há primeiro que medir as palavras, o seu peso e o seu significado, e em especial o seu efeito. Chegar ali com o número do ofendido, dizendo qualquer coisa, é perder tempo.

Também acho que Luisão poderia ter sido expulso, mas não me parece que isso seja assim tão gritante – pelo mesmo critério, então João Ferreira errou também noutros lances em prejuízo do Benfica – nem vejo que o Sporting tenha perdido por causa disso. Perdeu, sim, porque fez uma segunda parte calamitosa.

Costinha tem potencial para ser um bom diretor desportivo, mas começa a dar demasiados tiros nos próprios pés. Parece convencido de ter um desígnio, uma missão superior. E em breve se desiludirá.

Passe curto, publicado na edição impressa de Record de 15 abril 2010

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