Costinha inverteu uma tendência

Publico com todo o gosto este texto assinado pelo leitor Leonardo Rodrigues

A saída do Sporting da Liga Europa veio confirmar a impossibilidade de um clube inverter radicalmente a “politica de balneário” sem que os resultados se sintam em campo. O presidente eleito no verão passado geriu, à margem de qualquer bom-senso, o dossier Treinador, passando de um “Bento Para Sempre” a um timido “Carvalhal Por Agora”.  

A certa altura, descobriu que a instituição que lhe paga o ordenado não tinha mentalidade vencedora e anunciou a adoção de um modelo “à Porto”, sem que daí venha grande mal ao mundo. Para administrar esse modelo, recrutou no plantel, salvo erro, do Livorno (nota da QC: Atalanta), um antigo internacional português e campeão europeu pelo FC Porto.

Tudo faz sentido, partindo do princípio que o novo modelo seria para ser posto em prática de imediato e que Costinha teria a última palavra em todas as decisões que dissessem respeito ao futebol, ainda que pudesse, com elas, pôr em causa os resultados da equipa.

Casos de indisciplina acontecem em todas as equipas do mundo. Compete a técnicos e diretores assegurarem que os incumpridores sejam responsabilizados e castigados de forma exemplar, para que tais comportamentos sejam uma exceção em vez de constituirem a regra.

O Sporting de Paulo Bento nunca deixou perceber qual era a regra: dois jogadores sérvios experimentaram longos periodos de exclusão por “motivos disciplinares” nunca explicados mas com claro prejuizo para a equipa de futebol, no entanto, são conhecidos de todos episódios envolvendo Liedson, Polga, Moutinho, Veloso… que nunca mereceram qualquer castigo evidente – leia-se exemplar – por parte do Sporting.

Entrou a era de Carvalhal e as brilhantes 7 vitórias seguidas culminaram num fatídico Sporting-Mafra. De um desentendimento no banco depois de uma vitória para a Taça resulta a perda de um nóvel diretor desportivo, atropelado por todos os que contribuiram para a sua chegada no seu primeiro “atrito” com um jogador.

E se os adeptos se dividiram quanto aos culpados dessa situação, o jogo seguinte matou o assunto. Liedson marcou um golo na Trofa e saiu em ombros do confronto com Sá Pinto. “Se for preciso que ele dê uns sopapos no Carvalhal para continuar a marcar pode assentar-lhe já hoje!” – terão pensado alguns adeptos.

Ficou demonstrado que a “corda” em Alvalade partia sempre pelo lado de quem dirigia a equipa e não pelo jogador.

Resta concluir que a chegada de Costinha inverteu esta tendência e serviu este caso para marcar uma posição exemplar. E como não foi Costinha que apareceu em Alvalade a pedir trabalho, tem toda a legitimidade para aplicar aquilo que lhe foi pedido.

Mesmo que isse implique desfalcar a equipa de um jogador que, em todo o caso, nunca iria estar a 100%. Isto porque a disciplina e o profissionalismo dos jogadores não pode ser encaixado no calendário quando dá jeito.

A autoridade que, por agora, parece afastada das mãos de Carvalhal tem de ser delegada, neste caso, no diretor desportivo. Porque é sua missão fazer nascer um espirito de união e vencedor que tem de ser posto em campo em todos os jogos do Sporting, e não apenas contra o Atlético de Madrid. O clube tem de ser superior ao Marat, e superior ao Liedson, se quiser personificar uma equipa competitva e em comunhão de objectivos.

Há quem defenda o russo sem perceber que foi o próprio a requisitar a sua exclusão da equipa. Que o Sporting foi punido por ele não entrar em campo e que a”a disciplina serve para garantir a vitória”.

Permitam-me a correção: a disciplina serve para formar uma equipa e que o Sporting será punido enquanto se mantiver refém dos “humores” dos seus jogadores, com a agravante de cada caso ser um exemplo para o restante plantel. As vitórias, contra o Trofense ou contra o Atlético, vêm depois da disciplina e da equipa.

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