Corte de 15% nas pensões em pagamento até 2019

Agora que Passos e Portas recalibraram a abordagem à celerada redução na despesa da Segurança Social, jurando, um e outro, que não mais serão atingidas as pensões a pagamento – onde irão então buscar os 600 milhões de euros do seu compromisso com Bruxelas? – a intenção do PS de rejeitar os cortes perdeu fulgor. Embora todos saibamos o que valem as promessas eleitorais e a pressão a que o novo Executivo estará sujeito, por parte da inveja social que hoje dita leis na nossa sociedade, inveja oportunisticamente cavalgada por alguns comentadores ressabiados, que ou não descontam para a Segurança Social ou dispõem de meios de fortuna que lhes garantem o futuro. Há um então, que bate no ceguinho dia sim, dia não, e que insiste no inacreditável alçapão que o Tribunal Constitucional deixou aberto e por onde o próximo Governo poderá entrar:  o de vir a aceitar cortes no âmbito de uma reestruturação geral do sistema.

António Bagão Félix e outros economistas sérios vêm chamando a atenção para o congelamento das pensões, iniciado em 2010 e que tanto a coligação como o PS se propõem manter “pelo menos até 2019”. Ora essa não actualização dos valores em pagamento, corresponderá, tendo em vista a inflação acumulada na década, a uma diminuição das pensões em cerca de 15%. Ou seja, o corte está em curso mas ainda há quem diga que não está e exija mais sangue… Muito poder tem a mentira em Portugal!

Observador, Sábado, 17SET15

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