Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Coração d’Ouro, atores de lata

A novela “Coração d’Ouro”, da SIC, disputa à da TVI, “A Única Mulher”, a liderança das audiências. E mesmo perdendo, seja por 30 mil ou por 250 mil espectadores, lá vai dando luta graças a dois trunfos poderosos: o guião, em que encontramos alguma originalidade no mundo já batido das novas histórias de cordel, e o talento, enorme, de Rita Blanco.

A intérprete de “A Gaiola Dourada” integra um cartaz de atores de qualidade, como Lúcia Moniz ou Mariana Monteiro, José Raposo ou Miguel Guilherme, João Perry ou Ana Padrão, Maria João Bastos ou Custódia Galego, além da “revelação” Mariana Pacheco, que de revelação tem pouco – e caminho para melhorar ainda muito –, pois passaram 13 anos sobre a sua estreia em televisão.

O problema são os menos cotados. Porque com o teatro pelas ruas da amargura, resta aos palmos de cara as “escolas de morangos” para se revelarem, faltando-lhes depois o resto. E é na direção de atores que “Coração d’Ouro” falha, com um punhado de interpretações a descer a um nível tão baixo que estraga a média geral e leva espectadores ao desinteresse. Mas seria de esperar outra coisa num país em que a TV fabrica grunhos e desiste – por instinto de sobrevivência, eu sei – do seu papel de formação?

Antena paranoica, Correio da Manhã, 28Mai16