Contador trabalha, Armstrong descansa

Três espanhóis da Astana, entre eles o incontornável Daniel Navarro, o homem que reboca Alberto Contador “lá em cima”, até à estocada dos últimos quilómetros, chegaram ontem depois de todos, com mais de 12 minutos de atraso em relação ao vencedor, não por acaso o seu companheiro de equipa, Alexandre Vinokourov.

O que isto quer dizer, é simples: hoje, na primeira etapa dos Pirinéus, Contador vai tentar “desfazer” Schleck e conquistar a camisola amarela. Para isso, os seus fiéis escudeiros para as subidas – Vino é sempre uma incógnita nessas tarefas – estiveram ontem a banhos, ou melhor dizendo, fizeram um pouco de cicloturismo para poupar músculos e pulmões.

E enquanto a Astana funciona como equipa, com uma estratégia definida, o que passa pela cabeça de Brunyeel e da sua RadioShack? Provavelmente, nada. Fazem turismo na mesma, com exceção de Levi Leipheimer que vai resistindo, terminando as etapas a conta-gotas, sem qualquer esforço visível para não perderem tempo e cortarem a meta com os primeiros.

Mal a estrada empina um pouco, ainda que numa rampa fora de categoria, Lance Armstrong é o primeiro a dar o exemplo e a atrasar-se, não hesitando mesmo em acompanhar Dmitriy Muravyev, 172.º da geral, esse seu inseparável mistério cazaque. Estará a poupar-se também para hoje? Não, vai continuar até ao fim a fingir que ainda corre e a gozar connosco, que acreditámos nele. Vão ser, pelo menos, outros 10 minutos de preguiça e muitos tuítes com “congrats”. Que diabo, era preciso acabar assim?

Sprint curto, publicado na edição impressa de Record de 18 julho 2010

Nota – Peço desculpa pelo erro da previsão. Armstrong não chegou com 10 minutos de atraso, chegou com 15…

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