Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Como vai ser o Mundo em 2050?

Como vai ser o mundo em 2050?

9 de Setembro de 2012 às 17:45:39

, por Carla
Borges Ferreira
 in “Meios & Publicidade” http://www.meiosepublicidade.pt/2012/09/09/5-cenarios/

Economia selvagem – colapso iminente, Eficiência das
Megacidades, Estilo de Vida personalizado, O protecionismo paralisante
ou Resiliência Global – Adaptação Local. São estes os cinco cenários possíveis
daqui a quatro décadas, de acordo com o estudo Delivering Tomorrow: Logística
2050, levado a cabo pela Deutsche Post DHL, e que pretende lançar um olhar sobre
o futuro do comércio, negócios e da própria sociedade.

“O ritmo das mudanças acelerou-se rapidamente nos últimos anos e neste
complexo clima económico, político e social, tornou-se praticamente impossível
fazer previsões lineares. Num mundo onde é cada vez mais difícil de fazer
previsões, temos que ampliar os nosso horizonte e pensar em alternativas. Só
podemos conceber estratégias robustas e definir o rumo certo se ganharmos uma
compreensão a partir de diferentes perspectivas.”, justifica Frank Appel, CEO da
Deutsche Post DHL.

– Economia selvagem – colapso iminente

De acordo com este cenário “o mundo é caracterizado pelo materialismo e
consumo de massa desenfreado”. Este estilo de vida “é alimentado pela exploração
incessante dos recursos naturais e um grande desenvolvimento, situação que leva
ao aumento da poluição e, inevitavelmente, a mudanças climáticas que provocam o
aumento de desastres naturais em todo o mundo”. Neste contexto, a procura por
serviços de logística e transporte aumenta consideravelmente e uma “super rede
de transporte global assegura a rapidez da circulação das mercadorias entre os
centros de consumo”. No entanto, “com a aceleração das alterações climáticas, as
cadeias de abastecimentos sofrem cada vez mais interrupções, causando o
surgimento de novos desafios para as empresas de logística.”

– Eficiência das Megacidades

Aqui as “megacidades emergem como os centros de poder do mundo e o grande
epicentro do crescimento sustentável Elas são simultaneamente as principais
impulsionadoras e as beneficiárias da mudança de paradigma em direção a um
crescimento mais verde e ecológico”. Assim, para fazer frente aos “desafios
colocados pela expansão das estruturas urbanas, como sejam os congestionamentos
e as emissões poluentes, as megalópoles tornaram-se campeãs da colaboração”. “Os
consumidores mudam os seus hábitos: os produtos passam a ser cada vez mais
alugados em vez de adquiridos. Conceitos de tráfego altamente eficientes têm
aliviado os congestionamentos. Uma super rede de transportadores globais,
compreendendo camiões, barcos e aeronaves, bem com transportes espaciais, abriu
importantes rotas comerciais entre as grandes Megacidades do mundo. O setor de
logística é agora responsável pela gestão de logística das cidades, nos serviços
públicos, aeroportos, hospitais e centros comerciais.”

– Estilo de Vida personalizado

A individualização e o consumo personalizado estão no centro. “A fabricação
personalizada de produtos e a sua reciclagem acelerada permitem a produção
ecológica e promovem a sustentabilidade. Os consumidores têm a capacidade de
criar, projetar e fabricar seus próprios produtos. O desenvolvimento das
impressoras 3D são essenciais para esta realidade. Isto leva a um aumento do
fluxo do comércio regional, apenas as matérias-primas e os dados continuam a
circular no mundo. Os sistemas de personalização e de produção regional são
complementados por redes de energia e infraestruturas descentralizadas. Para o
sector da logística sobra apenas uma necessidade muito reduzida de transporte
para longas distâncias de produtos prontos ou semi acabados devido à localização
das cadeias de valor. Os fornecedores de serviços logísticos asseguram
fisicamente toda a cadeia de valor. Estes gerem igualmente a transmissão do
fluxo de dados criptografados de construção e design dos produtos para alimentar
as impressoras 3D. O acesso a boas condições logísticas em termos regionais bem
como uma forte rede local de alta qualidade serão fatores essenciais para o
sucesso de uma organização descentralizada de produção.”

– O protecionismo paralisante

Neste cenário o processo de globalização foi parado, devido a dificuldades
económicas, ao exagerado nacionalismo e ao surgimento de barreiras
protecionistas. “O desenvolvimento de novas tecnologias deixou de ser uma
prioridade e foi deixado completamente para trás. Simultaneamente a falta
generalizada de recursos eliminou a mentalidade descartável e levou à produção
de produtos de duráveis. Os elevados preços da energia e a drástica escassez da
oferta levam a conflitos internacionais para o controle dos recursos
energéticos. O setor da logística é então confrontado com os desafios colocados
pelo declínio no comércio mundial e a regionalização das cadeias de
abastecimento que daí resultam. Os Estados passam a considerar a logística como
uma indústria estratégica. Devido às relações tensas existentes entre os blocos
que se vão formando e alguns países, os fornecedores de serviços logísticos
localizados em países de blocos livres agem como intermediários de um comércio
num mercado internacional.”

– Resiliência Global – Adaptação Local

“Este cenário descreve um mundo muito marcado por um alto nível de consumo e
que é sustentado por uma produção automatizada de baixo custo”. Neste mundo, “os
desastres veem perturbar as cadeias de abastecimento e as estruturas de
produção, provocando falhas repetidas de abastecimento”. O novo paradigma
económico “aposta na transição para um estado onde se otimiza a eficiência,
procurando simultaneamente reduzir a vulnerabilidade e aumentar a resiliência. A
transformação radical dos sistemas de produção redundantes e a preferência pelas
cadeias de abastecimento regionais ao invés dos sistemas globais anteriores,
criam condições à economia mundial global para melhor resistir à adversidade. O
mundo resiliente de 2050, cujas trocas de mercadorias foram regionalizados, tem
por base uma atividade logística onde a segurança do abastecimento é a
prioridade absoluta. As infraestruturas sólidas garantem transportes fiáveis,
mesmo nos períodos mais instáveis e perigosos. Para substituir os complexos
processos de entregas just-in-time, grandes áreas de armazenamento, considerados
infraestruturas indispensáveis ficam localizadas próximas das instalações do
fabricante e são.”

Os resultados traduzem as expectativas e projecções de 42 especialista,
como Klaus Töpfer (antigo ministro alemão do Ambiente e diretor do Programa
Ambiental da ONU), Fatih Birol (economista-chefe da Agência Internacional de
Energia)ou Michael Hompel (Diretor Presidente da Fraunhofer Instituto de Fluxo
de Materiais e Logística), e baseiam-se, explica a companhia, numa análise
detalhada dos factores mais críticos, incluindo o comércio e hábitos de consumo,
tendências tecnológicas e sociais e alterações climatéricas – e estimar o seu
impacto provável no comportamento das pessoas e dos seus valores em 2050.