Como se não houvesse amanhã

A última notícia sobre a irresponsabilidade portuguesa diz-nos que as novas reformas da há muito deficitária Caixa Geral de Aposentações, que caíam desde 2014, voltaram a aumentar este ano, com mais de 11.500 pedidos até agosto. Quer isso dizer que o prejuízo da CGA, que põe em causa a sustentabilidade de toda a Segurança Social, irá aumentar no futuro.

Continuamos a varrer os problemas para debaixo do tapete, como se viu há pouco com a questão da sardinha. O organismo científico que aconselha a União Europeia sobre as quotas recomendou a suspensão da captura da espécie por um período de 15 anos para que se possa renovar. Mas o Governo entende haver “discrepâncias” sobre os dados e autorizou a nossa frota a pescar mais 4.760 toneladas até final do ano, satisfazendo assim os interesses da indústria, que precisa de faturar hoje ainda que não haja amanhã.

Caso semelhante se passa com a água. A quase totalidade do território atravessa um período de seca severa, um fenómeno que nem pelo facto de ser recorrente merece uma estratégia nacional. Abandonado o projeto das mini-hídricas, em cedência à gritaria ambientalista que não se importa que o País morra à sede desde que as pedras falem, nada mais se fez. No meu bairro de Lisboa, uma pequena elevação ervada onde os cães se aliviam, é diariamente regada como se tivesse rosas. É definitivo: somos mesmo burros.

Observador, Sábado, 10AGO17

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