Como se ganha o direito a ser ouvido?

Foi um contributo recorrente desde o início século e ainda na quinta-feira o ouvimos esclarecer os portugueses sobre a confusão instalada por um mosquito potencialmente transmissor da dengue. Mas na vida tudo chega ao fim e Francisco George completa 70 anos – e deixa de ser diretor-geral da Saúde em outubro.

Ao longo do seu mandato – que sucessivos governos confirmaram – o médico que tanto contribuiu para a tranquilidade coletiva não nos convenceu só pelo conhecimento, pelo bom senso do que dizia ou pela serenidade com que nos passava a informação, mas também por outras duas virtudes sem as quais não se consegue conquistar o direito a ser ouvido: coragem para falar verdade e poder de comunicação.

A campanha eleitoral em curso tem potenciado a dificuldade na transmissão das diferentes mensagens, dificuldade detectável até em alguns dos comentadores que se espalham pelos canais de TV. E a explicação é óbvia: nem todos nascemos para comunicar. Daí ter crescido a minha admiração por aquele homem que não é imponente, nem elegante, nem bonito, nem sequer simpático, e que é capaz de ser tudo isso apenas porque domina o verbo e o tom adequado para nos levar a seguir à risca o que diz. Vamos ter saudades!

Antena paranoica, Correio da Manhã, 23SET17

Partilhar

Os comentários estão fechados.