Como pareciam felizes Paulo Bento e Pinto da Costa…

No futebol é como nos negócios: não existem amigos. O que há são interesses comuns, pontuais, e alianças que se fazem e desfazem ao sabor da ocasião e dos acontecimentos.

Pertenço a uma escola jornalística em que uma notícia era uma notícia e a sua publicação tornava-se obrigatória a partir do momento em que se tomava conhecimento do facto. Secava-se uma fonte? Azar. Destruía-se uma relação? Paciência. Perdia-se um amigo? Siga para bingo.

Não vou, nunca fui, tão longe, por muito que reconheça que o primado da notícia deve prevalecer. A nossa profissão é esta, não é outra. Mas o que não aceito é o exercício da hipocrisia, as duas caras a que tantas vezes vejo recorrer: uma para ter acesso à informação privada, a outra para a tornar pública.

Por isso me mantenho – sem agenda que não seja, como jornalista a dos leitores, e como diretor do jornal também a do acionista – afastado do convívio, da intimidade e principalmente daqueles afetos que um dia, que sempre chega, são utilizados para evitar a publicação do que deve, e tem, de ser publicado.

Há dias, Record divulgou a foto do gesto controverso de Wolfswinkel, sendo acusado das mais perversas intenções e até de ter manipulado a imagem, como se fosse possível brincar com um clube e com um jogador que nos merecem todo o respeito – e mesmo que assim não fosse.

Hoje, fotos recolhidas de trás, de frente e de lado provam, sem margem para dúvida, a natureza da atitude do avançado holandês. O que devia ter feito o Record? Ignorar o facto e satisfazer fanatismos que tudo distorcem, até a verdade? Ou respeitar, como respeitou, o interesse da larguíssima maioria dos seus leitores, que exige, e com razão, saber não parte da realidade mas tudo o que acontece?

Voltei a pensar nisto ontem, ao recordar como pareciam felizes Pinto da Costa e Paulo Bento, ainda não há muito tempo, no camarote presidencial do Estádio do Dragão… Agora, estalado o verniz, aí temos os inevitáveis jogos florais. Não vale a pena alimentar ilusões: a vida é assim e não tolera romantismos.

Canto direto, publicado na edição impressa de Record de 17 novembro 2012

No futebol é como nos negócios: não existem amigos. O que há são interesses comuns, pontuais, e alianças que se fazem e desfazem ao sabor da ocasião e dos acontecimentos.


Pertenço a uma escola jornalística em que uma notícia era uma notícia e a sua publicação tornava-se obrigatória a partir do momento em que se tomava conhecimento do facto. Secava-se uma fonte? Azar. Destruía-se uma relação? Paciência. Perdia-se um amigo? Siga para bingo.
Não vou, nunca fui, tão longe, por muito que reconheça que o primado da notícia deve prevalecer. A nossa profissão é esta, não é outra. Mas o que não aceito é o exercício da hipocrisia, as duas caras a que tantas vezes vejo recorrer: uma para ter acesso à informação privada, a outra para a tornar pública.
Por isso me mantenho – sem agenda que não seja como jornalista a dos leitores e como diretor do jornal também a do acionista – afastado do convívio, da intimidade e principalmente daqueles afetos que um dia, que sempre chega, são utilizados para evitar a publicação do que deve, e tem, de ser publicado.
Há dias, Record divulgou a foto do gesto controverso de Wolkswinkel, sendo acusado das mais perversas intenções e até de ter manipulado a imagem, como se fosse possível brincar com um clube e com um jogador que nos merecem todo o respeito – e mesmo que assim não fosse. Hoje, fotos tiradas de trás, de frente e de lado provam, sem margem para dúvida, a natureza da atitude do holandês. O que devia ter feito o Record? Ignorar e satisfazer fanatismos que tudo distorcem, até a verdade? Ou respeitar, como respeitou, o interesse da larguíssima maioria dos seus leitores, que exige, e com razão, saber não parte da realidade mas tudo o que acontece?
Voltei a pensar nisto ontem, ao recordar como pareciam felizes Pinto da Costa e Paulo Bento, ainda não há muito tempo, no camarote presidencial do Estádio do Dragão… Agora, estalado o verniz, aí temos os inevitáveis jogos florais. Não vale a pena alimentar ilusões: a vida é assim e não tolera romantismos

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