Com Patrick Morais de Carvalho o Belenenses recupera o seu orgulho

Patrick Morais de Carvalho candidata-se a um terceiro mandato como líder do Belenenses para prosseguir o notável trabalho de recuperação do clube que desenvolve desde 2014. Após os dois quintos lugares no campeonato, alcançados com Jorge Jesus, em 2006-2007 e em 2007-2008, o segundo “transformado” em oitavo pelos pontos perdidos com o “caso Meyong” – e a dramática renúncia, e morte, do então presidente Cabral Ferreira – os azuis mergulharam numa crise profunda. Da caótica preparação (?) da época seguinte, a de 2008-2009, ao recente rompimento definitivo com a B-SAD da Codecity, por tudo passou o Belenenses.

Justo é que se diga também que foi a eleição de alguns dirigentes desqualificados e megalómanos que levou o emblema à situação de insolvência que a atual direção parece ter afastado de vez. Se assim for, com a requalificação do Restelo e o fim das penhoras, e com a equipa de futebol a regressar com a brevidade possível ao escalão principal – a partir do Campeonato de Portugal tudo se complicará… – Patrick Morais de Carvalho ficará na história centenária do Belenenses como um dos seus grandes presidentes, ao lado de figuras como Francisco Mega, Acácio Rosa, Gouveia da Veiga, Baptista da Silva ou Mário Rosa Freire. Que não lhe falte a paciência!

Luís Filipe Vieira dificilmente não ganhará as eleições no Benfica, mas só terá tranquilidade – ele e Jorge Jesus – quando estiver na Luz o goleador que faça os adeptos acreditarem na equipa e aclamarem o líder. E quando é que esse homem providencial chega?

No futebol português, de volta e meia, aparecem talentos em que se jogam todas as fichas e que por este ou aquele motivo – e até por nenhum – jamais dão o salto para o nível que prometiam. Especialistas, comentadores, jornalistas e rapaziada avulsa lá vão alimentando a esperança de ver brilhar o ouro, mas o melhor que conseguem é irem sabendo de empréstimos sucessivos e transferências falhadas ou insignificantes, sem que o êxito se confirme. Francisco Geraldes é o exemplo mais evidente desses fracassos, mas há outros, como João Palhinha, que tinha todas as condições para ser titular em Braga ou em Alvalade. Por que será que isso não acontece?

Afinal, tudo indica que perdi a aposta na fidelidade eterna de Messi ao Barcelona. Agora, espero que ele não cometa o erro de CR7 e escolha um clube com o qual possa continuar a ganhar Ligas, Champions, Bolas de Ouro, Botas de Ouro e por aí fora. Porque se há dias para os quais nunca estarei preparado são estes dois: o do último jogo de Federer e o do final da rivalidade Cristiano-Messi. Depois disso, o Mundo será outro e nada terá o mesmo sabor.

Um parágrafo final para recordar aquele longínquo agosto de 1964 – ai, ai… – em que foi publicado, no então trissemanário “Mundo Desportivo”, o meu primeiro texto. Como o escriba estava longe de imaginar que o seu futuro profissional pudesse ficar ligado, e por tantos anos, a essa reportagem na Catalunha… Coisas da vida.

Outra vez segunda-feira, Record, 31ago20

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