Com os olhos (e com Queiroz) no Europeu de 2012

Tenho o maior respeito pelas opções de Carlos Queiroz, admiro o trabalho de reconstrução da “casa das seleções” a que meteu ombros, a organização que tem procurado impor e o sentido profissional de que se tem revestido a sua ação. Trata-se de um técnico maduro e competente, e também nesta altura, sem dúvida, o melhor selecionador que a Federação Portuguesa de Futebol poderia escolher. Conto, por isso, com a sua capacidade para levar a Seleção Nacional ao Europeu de 2012 e acredito que pode conduzi-la ao êxito nessa participação.

Acontece que sou um treinador de bancada igual a tantos outros e entendo que Queiroz cometeu um duplo erro na partida contra a Espanha. Desde logo, com a opção de Ricardo Costa para o lado direito da defesa, para enfrentar o puro e duro David Villa. O selecionador dispunha de Miguel, que para além da vantagem técnica sobre Ricardo Costa, naquele lugar, dispõe ainda de outra qualidade e que não é pequena: treina todos os dias com Villa e conhece-o tão bem como as palmas das suas mãos. Por que se deitou fora esse capital?

O segundo erro de Carlos Queiroz deu-se com a substituição de Hugo Almeida, que estava tão esgotado que tinha acabado de dar um “bigode” a Piqué num longo sprint pela esquerda. A solução que me parecia evidente era a da entrada de Liedson para a frente, a fazer dupla com Almeida – sabe-se que o Levezinho rende muito mais com alguém ao lado –, e a saída de Simão, que estava em claro sub-rendimento, passando a equipa a jogar em 4X4X2. Mas quando precisávamos de dois (ou de 10…) pontas-de-lança, Queiroz optou por ficar sem nenhum.

Agora é fácil fazer estas análises e criticar o selecionador. Mas se tivéssemos aguentado o 0-0, como aconteceu com o Brasil, e ganho depois nos penáltis, Queiroz teria sido perfeito, um génio. Não vou por aí. Nós temos as ideias que quisermos e ele decide. É bom que se continue assim.

Minuto 0, publicado na edição impressa de Record de 1 julho 2010

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