Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Com certeza que Record voltará a escrever concerteza…

De: Vânia Cristina [mailto:vaniacris9@gmail.com]
Enviada: segunda-feira, 20 de Junho de 2011 1:44
Para: Record
Assunto: Crítica construtiva

Boa noite,

Sou uma leitora assídua do vosso jornal, desde há já bastante tempo e, antes de mais, gostaria de vos felicitar pelo excelente trabalho que têm realizado no que diz respeito ao jornalismo desportivo em Portugal.

No entanto, não posso deixar de criticar algo que já se vem a passar há algum tempo – a falta de cuidado relativamente à utilização correcta da Língua Portuguesa.

Como jornal desportivo de referência nacional, os padrões linguísticos pelos quais se regem têm de ser, também e obrigatoriamente, elevados, o que passa por uma melhor revisão dos textos que são publicados.

Sendo a minha intenção deixar, aqui, uma crítica construtiva e que possa ser um primeiro passo para um maior cuidado ao escrever artigos e traduzir entrevistas, não posso deixar de referir um “erro” que, literalmente, me tira do sério. Isto porque, sendo o Record um jornal de elevada qualidade, acredito que seja do vosso interesse estar constantemente a melhorá-lo.

Infelizmente, este é um erro muito frequente nos vossos artigos, e diz respeito à regência gramatical, a qual é, muitas vezes, “esquecida”. Na verdade, foi exactamente por ter acabado de me deparar com dois erros semelhantes que decidi escrever este e-mail. Para ser mais específica, no vosso artigo sobre uma das novas contratações do Real Madrid, o Sahin, o título é “Não tenho dúvidas que serei titular”. Neste caso, deveria estar “Não tenho dúvidas de que serei titular”. Caso semelhante o da entrevista de Rafael Nadal, em que encontramos “Embora esteja certo que sou um melhor jogador”, em vez do correcto “Embora esteja certo de que…”.

Estes dois erros não são, como já disse, infelizmente, únicos e, apesar de poder parecer meticuloso e rigoroso da minha parte, para mim, são erros bastante graves para um jornal como o Record, uma vez que dão a sensação de que não existe a devida dedicação e atenção ao escrever os artigos. Ainda por cima, porque são situações relativamente fáceis de solucionar – basta haver um maior cuidado na revisão dos mesmos.

Para além disso, não posso, ainda, deixar de referir um erro gravíssimo que será, facilmente, comprovado se fizerem uma pesquisa no vosso site. Como é que é possível, e volto a dizer para um jornal da vossa dimensão, publicarem, pelo menos 71 artigos (os que aparecem na pesquisa) com a palavra “concerteza”? Uma palavra cuja utilização é, com toda a certeza, absolutamente incorrecta.

Quero, ainda, dizer que não sou perita em linguística e que, como todos, cometo erros ao falar e escrever Português. No entanto, acredito que todos os meios de comunicação se devem empenhar em utilizar correctamente a nossa língua, uma vez que o seu papel como modelo a seguir, em termos linguísticos, é de extrema relevância.

Por fim, e como referi anteriormente, o meu objectivo é deixar, aqui, uma crítica construtiva, que possa servir para melhorar a qualidade do vosso jornal.

Agradecendo a atenção prestada,
Vânia

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Nota da Quinta do Careca

Agradeço à leitora a valiosa colaboração que nos dá para que o serviço que prestamos seja melhor.

O problema do “concerteza” e a luta travada para o conter têm oito anos e meio, o tempo que levo como diretor do Record. Espero que os jornalistas “distraídos” e os revisores “distraídos”, que teimam em não aprender o que parece básico, se envergonhem de vez com o atestado de analfabetismo que nos acabaram de passar.

Já quanto ao “de que”, menos do que ignorância, trata-se de conseguir “meter” os títulos dentro de um espaço limitado. Daí ao deixar cair o “de” é uma questão de um segundo…