Clubes populares sobrevivem com o apoio das autarquias

Li por estes dias no Correio da Manhã a notícia de que a Câmara Municipal de Oeiras vai comprar, por 280 mil euros, o edifício – a necessitar de reparação urgente – onde se encontra, desde 1975, a sede do Atlético Clube de Porto Salvo, fundado em 1948.

Em 1972, fiz para o Diário de Lisboa cerca de três dezenas de reportagens em pequenas coletividades da região de Lisboa, e uma das primeiras foi com o Atlético de Porto Salvo, que tinha 600 associados e estava instalado num rés-do-chão de três assoalhadas. Só três anos mais tarde, já depois do 25 de abril, o clube ocuparia o prédio agora adquirido pela CMO.

Fui recebido pelo presidente, Matos Correia, e pela direção que se reunia naquela mesma noite, e dei conta aos leitores do DL das muitas dificuldades que me foram reportadas, a começar pela incomportável despesa com as equipas de futebol, que disputavam os campeonatos distritais: 50 contos por ano, quase 12 mil euros, se atualizarmos o montante a 2017.

Outro grave problema de há 45 anos, o do campo de jogos, resolveu-o a Câmara de Oeiras, ao inaugurar, já em 2015, um complexo desportivo em que investiu 4,4 milhões de euros e a que deu o nome de Adriano Canas, um benemérito do Atlético vitimado por um acidente de automóvel e que antes de 1972 cedera ao clube o terreno onde jogava. Mas para a viúva essa cedência tornou-se ruinosa e a direção vivia numa aflição permanente. Entretanto, os tempos mudaram e o poder autáquico salvou, por esse país fora, centenas de modestas agremiações. E mais não fez que a sua obrigação.

Parece que foi ontem, Sábado, 10AGO17

As primeiras dez reportagens de uma série de 30

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