Chega e os seus dois aliados

Na SIC, José Miguel Júdice dizia que a entrada do Chega no Parlamento fará com que André Ventura demonstre “o que não vale”. Mas o novo deputado garantia: “Dentro de oito anos, seremos o maior partido de Portugal”. Não teria tanta certeza, tanto numa profecia como na outra.

O equívoco de Júdice é comum a vários analistas, que não têm em conta que o líder do Chega não é um pateta que diz as primeiras tolices que lhe vêm à cabeça, mas um jurista preparado, docente, comentador e hábil comunicador – e um homem já com experiência política. Se mostrar o que não vale, não deixará, também, de se afirmar pelo que vale.

Quanto à bravata, tratar-se-á de um exagero, ainda que oito anos seja tempo mais que suficiente para o Mundo dar muitas voltas. E uma legislatura bastará para Ventura aproveitar a ajuda de dois fatores de peso. Um é a vida e os seus problemas, que lhe permitirão uma atividade constante de crítica fácil e de um protesto que ele saberá temperar com o espetáculo necessário ao “apoio” do segundo “aliado”: a televisão, que não poderá resistir aos seus “shows” e lhe tratará, gratuitamente, da propaganda e da popularidade. Em 2023, respirarei fundo se esta previsão tiver sido um disparate…

Antena paranoica, Correio da Manhã, 12out19

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