Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Chantagem insuportável na TAP

As opiniões dividem-se entre os defensores e os opositores da privatização da TAP, estendendo-se ainda aos que preferem uma privatização parcial – maioritária ou minoritária – não faltando argumentos a uns e a outros para justificarem os seus pontos de vista.

Creio que o bom senso aconselharia a privatização parcial porque isso permitiria ao Estado não só condicionar uma futura privatização total como acompanhar de perto o cumprimento do caderno de encargos que irá defender, julga-se, os interesses nacionais.

Se sentimentalmente todos gostaríamos que a transportadora permanecesse sob controlo público, já a necessidade de investimento e a dramática situação do País nos levam a cair na realidade.  Mas não só.

Enquanto a TAP se mantiver nas mãos do Estado, teremos caravelas a dar prejuízo. É que não são só os juros dos mil milhões de euros de passivo ou as ondas de choque do péssimo negócio do Brasil a puxar a nossa companhia de bandeira para baixo, mas é também a pressão insuportável dos sindicatos, cujas exigências permanentes e o recurso a greves sistemáticas, acarretando perdas de milhões de euros, tornam uma gestão já de si de equilíbrio instável num acto heróico. E nenhum investidor, sem a maioria do capital e o controlo das contas, meterá o seu dinheiro na TAP para o ver esbanjado em actos de pura chantagem.

Observador, Sábado, 30DEZ14