Centenos de milhões

Não faltam por aí Medinas Carreiras, a garantir que a equação virtuosa do ministro das Finanças é impossível de resolver e vai acabar em tragédia. Mas nascem a cada dia mais Mários Centenos, empolgados com os horizontes de prosperidade que antevêem nesta sociedade falida.

Creio que nem nos melhores anos de folia vi os centros comerciais, os restaurantes ou as gasolineiras com tanta gente a gastar como neste dezembro. Os juros negativos dos empréstimos, os preços do petróleo abaixo dos 40 dólares e, em especial, a janela aberta sobre a grande praça da descida da sobretaxa de IRS, do fim dos cortes salariais ou da agonia da CES, levam os centenos a desprezar os medinas e a consumir como loucos.

E para terem razão, sobram-lhes ainda exemplos temerários, como os projectos da Câmara de Lisboa, que vai arrancar com a maior reaqualificação urbana desde a Expo’98. Há meses, foi anunciada a renovação do eixo entre Picoas e o Saldanha, que custará 9,4 milhões de euros. Agora, galvanizada pelo centenismo, a CML avançará também com obras no Campo das Cebolas, no Corpo Santo e no Cais do Sodré, no valor de 18,2 milhões, e em Sete Rios, mais 6,36 milhões de euros.

Ah, como eu gostava que esta história acabasse bem! O problema é que me converti ao medinismo e deixei de acreditar no Pai Natal.

Observador, Sábado, 18DEZ15

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