Carmen Dolores… quem é?

Numa programação dominada por
produtos “populares”, não é fácil, nos tempos que correm, encontrar grandes
momentos de televisão. Eles surgem, inesperadamente, neste ou naquele canal,
por vezes até deslocados no formato em que são apresentados.

Há dias, numa pequena
reportagem com Carmen Dolores, a propósito do lançamento do seu livro, “No
palco das memórias”, Manuel Luís Goucha, que não é o simples “entertainer” que
interpreta por ofício, assinou, no “Você na TV”, da TVI, um trabalho magnífico.

Sim, magnífico, pois
permitiu-nos rever não só uma enorme figura da representação – amarrada, como
outras, à pequenez do meio e à crueldade do esquecimento – como desfrutar da
fluidez de raciocínio e da capacidade de comunicação da atriz, que se mantêm
intactas e admiráveis – quase aos 89 anos!

Não antevejo sucesso para a
obra. Carmen Dolores já pouco diz às novas gerações, reféns dos engraçadinhos
sem graça e dos “famosos” que são ninguém. Ficará, sim, o seu talento e a sua
qualidade na memória daqueles que, velhos como nós, teimosamente resistem.

Antena paranóica, publicado na edição impressa do Correio da Manhã de 16 fevereiro 2013

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