Carlos Carvalhal está um homem perigoso

O FC Porto ganhou com justiça ao Sp. Braga, mas teve a sorte dos vencedores num detalhe de cinco centímetros: o do golo invalidado aos visitantes, aos 21 minutos, e que daria o 0-2. Cantaria outro galo? Nunca saberemos, os rios não correm para trás.

A verdade é que até ao remate vitorioso de Sérgio Oliveira, que deu o empate, os bracarenses desenvolveram um futebol de excelente qualidade, dando um sinal claro que os tradicionais candidatos vão ter mesmo de contar com eles. Não ao nível da comichãozinha dos derradeiros anos, com pequenos êxitos aqui e ali, mas com um real poder de fogo a provocar muita instabilidade no patamar lá de cima.

Esta minha previsão tem tudo a ver com aquilo que Carlos Carvalhal hoje é: um treinador sagaz, estruturado, maduro. Antes de alcançar a tranquilidade no Rio Ave, teve bons momentos no Sporting e em Inglaterra. Só que em Alvalade viviam-se os tempos de cólera pós-Soares Franco – que haviam vitimado Paulo Bento e que acabariam por atingir José Eduardo Bettencourt, abrindo caminho para a fase da vertigem. E além Mancha calhou-lhe a impossível tarefa de fazer omeletas sem ovos. Mas cresceu imenso aí. Em Braga, pela primeira vez Carvalhal dispõe de um plantel capaz, em número e em qualidade, com o qual pode aspirar aos altos voos que persegue quase há uma vida. E agora está em casa, está mais gordo e voltou a ter cabelo, é outro e é melhor.

Muito bem ainda na conferência de imprensa, ao não entrar pelo alçapão das críticas ao árbitro e ao valorizar os aspetos positivos da sua equipa, já a pensar no que há de vir. Carvalhal tornou-se igualmente num ás da comunicação. Fino como um coral, está um homem perigoso, cuidado com ele!

No Sporting, acontece a Maximiano o que teria acontecido a Rui Patrício, não fosse Paulo Bento ter tido uma visão de futuro. Rúben Amorim coloca as fichas todas em Adán e a opção pode não lhe correr bem. Trata-se de um guarda-redes com poucos jogos para os anos de carreira que leva – e que esteve praticamente inativo nos últimos dois anos. Aposta de alto risco, suspeito eu.

Jorge Jesus fez mudanças em Famalicão, mas esta “segunda” equipa do Benfica, nos 45 minutos iniciais, não foi melhor do que a “primeira”, a que atuou na Grécia. Meteu foi as batatas na baliza, o que no futebol faz toda a diferença. E lá se foi a depressão profunda, é assim a vida.

Quatro assistências de Kane para quatro golos de Son, três erros colossais de Lindelof a “matar” o MU, Hélder Costa a bisar pela primeira vez em Inglaterra, grandes jogos, muitos golos: nada chega à Premier.

Destaque para a fortíssima a recomposição dos painéis de debate futebolístico da CMTV, que continuará, por isso, a dar um “banho” à concorrência nesta nova época. E permito-me salientar um dos “reforços”, Rodolfo Reis, que sempre acompanhei noutro canal e que admiro pelo discurso conhecedor, desalinhado, frontal e provocador. Quando não gosta, nem o FC Porto escapa! A não perder.

O parágrafo final vai para José Sousa Cintra e é curto: um sentido abraço, presidente.

Outra vez segunda-feira, Record, 21set20

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