Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Canto direto: o poder e as pressões

Sinto dificuldade em compreender, nos tempos que correm, que alguns artistas ainda sejam apanhados, através de escutas telefónicas, a meter a pata na poça. Depois de tudo o que se tem sabido, custa acreditar que a ingenuidade faça parte do “portfolio” de qualidades e defeitos de quem se especializou em fazer asneira e seja suposto ter alguma – mesmo que não muita – inteligência.

A minha capacidade de entendimento é também posta à prova neste caso de um ministro, seguramente poderoso, que terá ameaçado uma jornalista, certamente frágil. Terá Miguel Relvas consciência de que é ele o verdadeiro “substituto” de Sócrates, o escolhido para tema do dia, o espetáculo na rotina das redações? E que depois deste caso outro surgirá, mal ele volte – o que parece algo de irreprimível na sua personalidade e no seu comportamento – a por-se a jeito? Ou já se esqueceu da forma como Pedro Santana Lopes foi cozinhado em lume brando, ou não tão brando assim, com histórias umas atrás das outras?

Se Miguel Relvas ameaçou de facto a jornalista, espalhou-se. E revelou o impensável: conhece mal o modo de relacionamento com uma classe que, honra lhe seja nesse particular, não tem raça, nem religião, nem partido. Mas fazer do incidente uma questão de Estado é simplesmente arranjar um divertimento, tal como transformar a jornalista numa flor de estufa, alvo indefeso de vendaval destruidor, não é mais do que cair no ridículo.

Ainda há dias, um conhecido treinador tentou impedir que “Record” publicasse uma notícia, ameaçando que nunca mais falaria para o jornal. Resultado: a notícia saiu e eu continuo sem conhecer de lado nenhum o estimável senhor. Um dia, contarei como nestes últimos 12 anos tenho sido pressionado, como me tenho divertido com isso e como continuo a dormir bem melhor para esse lado. 

É inaceitável que o poder tente condicionar os jornalistas e, se a prática existe, terá de ser combatida. Pior, mesmo, só os jornalistas que cedem às pressões – e não se queixam e andam aí – ou aqueles que têm medo de papões. A vida está difícil mas só nos deixa uma opção: enfrentá-la.

Sinto dificuldade em compreender, nos tempos que correm, que alguns artistas ainda sejam apanhados, através de escutas telefónicas, a meter a pata na poça. Depois de tudo o que se tem sabido, custa acreditar que a ingenuidade faça parte do “portfolio” de qualidades e defeitos de quem se especializou em fazer asneira e seja suposto ter alguma – mesmo que não muita – inteligência.
A minha capacidade de entendimento é igualmente posta à prova neste caso de um ministro, seguramente poderoso, que terá ameaçado uma jornalista, certamente frágil. Terá Miguel Relvas consciência de que é ele o verdadeiro “substituto” de Sócrates, o escolhido para tema do dia, o espetáculo na rotina das redações? E que depois deste caso outro surgirá, mal ele volte – o que parece algo de irreprimível na sua personalidade e no seu comportamento – a por-se a jeito? Ou já se esqueceu da forma como Pedro Santana Lopes foi cozinhado em lume brando, ou não tão brando assim, com histórias umas atrás das outras?
Se Miguel Relvas ameaçou de facto a jornalista, espalhou-se. E revelou o impensável: conhece mal o modo de relacionamento com uma classe que, honra lhe seja nesse particular, não tem raça, nem religião, nem partido. Mas fazer do incidente uma questão de Estado é simplesmente arranjar um divertimento, tal como transformar a jornalista numa flor de estufa, alvo indefeso de vendaval destruidor, não é mais do que cair no ridículo.
Ainda há dias, um conhecido treinador tentou impedir que “Record” publicasse uma notícia, ameaçando que nunca mais falaria para o jornal. Resultado: a notícia saiu e eu continuo sem conhecer de lado nenhum o estimável senhor. Um dia, contarei como nestes últimos 12 anos tenho sido pressionado, como me tenho divertido com isso e como continuo a dormir bem melhor para esse lado. 
É inaceitável que o poder tente condicionar os jornalistas e, se a prática existe, terá de ser combatida. Pior, mesmo, só os jornalistas que cedem às pressões – e não se queixam e andam aí – ou aqueles que têm medo de papões. A vida está difícil mas só nos deixa uma opção: enfrentá-la.Sinto dificuldade em compreender, nos tempos que correm, que alguns artistas ainda sejam apanhados, através de escutas telefónicas, a meter a pata na poça. Depois de tudo o que se tem sabido, custa acreditar que a ingenuidade faça parte do “portfolio” de qualidades e defeitos de quem se especializou em fazer asneira e seja suposto ter alguma – mesmo que não muita – inteligência.A minha capacidade de entendimento é igualmente posta à prova neste caso de um ministro, seguramente poderoso, que terá ameaçado uma jornalista, certamente frágil. Terá Miguel Relvas consciência de que é ele o verdadeiro “substituto” de Sócrates, o escolhido para tema do dia, o espetáculo na rotina das redações? E que depois deste caso outro surgirá, mal ele volte – o que parece algo de irreprimível na sua personalidade e no seu comportamento – a por-se a jeito? Ou já se esqueceu da forma como Pedro Santana Lopes foi cozinhado em lume brando, ou não tão brando assim, com histórias umas atrás das outras?Se Miguel Relvas ameaçou de facto a jornalista, espalhou-se. E revelou o impensável: conhece mal o modo de relacionamento com uma classe que, honra lhe seja nesse particular, não tem raça, nem religião, nem partido. Mas fazer do incidente uma questão de Estado é simplesmente arranjar um divertimento, tal como transformar a jornalista numa flor de estufa, alvo indefeso de vendaval destruidor, não é mais do que cair no ridículo.Ainda há dias, um conhecido treinador tentou impedir que “Record” publicasse uma notícia, ameaçando que nunca mais falaria para o jornal. Resultado: a notícia saiu e eu continuo sem conhecer de lado nenhum o estimável senhor. Um dia, contarei como nestes últimos 12 anos tenho sido pressionado, como me tenho divertido com isso e como continuo a dormir bem melhor para esse lado. É inaceitável que o poder tente condicionar os jornalistas e, se a prática existe, terá de ser combatida. Pior, mesmo, só os jornalistas que cedem às pressões – e não se queixam e andam aí – ou aqueles que têm medo de papões. A vida está difícil mas só nos deixa uma opção: enfrentá-la

Canto direto, crónica publicada na edição impressa de Record de 26 maio 2012