Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Canto direto: já não há marcas eternas

Não passa um dia sem que se receba, aqui na redação, uma denúncia sobre um suposto caso ou malfeitoria atribuída tanto a Luís Filipe Vieira como a Rui Rangel. Não irei, obviamente, revelar a natureza dessas “informações”, na sua quase totalidade caluniosas e sem qualquer ponta por onde se lhes pegue.

Na corrida à presidência do Benfica parece valer tudo, como se os que discordam do atual presidente pudessem por isso ser considerados um bando de vende-pátrias que ousam não venerar o líder, ou este fosse, por sua vez, um tirano que não respeita ninguém e leva o clube à desgraça. Uns são os lambe-botas, que se espalham aí por todo o lado, os outros são os contestatários compulsivos, que estão sempre contra quem manda. São facilmente identificáveis, pelo que não lhes dar trela é o segredo.

Já o Sporting, não tendo eleições à vista, é como se tivesse, pois Godinho Lopes é alvo de facadas vindas de todas direções, como se o clube de Alvalade se encontrasse em condições de viver na querela permanente, mergulhado num banho de ódios que tudo submerge e nada devolve à superfície.

Benfiquistas e sportinguistas, tendo evidentemente direito à diferença e até o dever do combate pelas ideias, ainda não perceberam que, estando o País a atravessar uma crise profunda, tudo pode ser destruído mais facilmente e mais depressa. Se da divergência de opiniões não resultar a luz das soluções e o caminho da união em torno de objetivos afinal comuns, mas apenas mais divisões fratricidas, mais confrontações espúrias e mais animosidades pessoais, ou seja, novas versões do antigo caos, as organizações estarão perdidas. 

Agrava o problema o facto de ter passado também o tempo em que as instituições resistiam e as marcas eram ou se julgavam eternas. Agora, este fogo queima um tecido que já não se regenerará. Pensem bem antes de espetar a faca.

Não passa um dia sem que se receba, aqui na redação, uma denúncia sobre um suposto caso ou malfeitoria atribuída tanto a Luís Filipe Vieira como a Rui Rangel. Não irei, obviamente, revelar a natureza dessas “informações”, na sua quase totalidade caluniosas e sem qualquer ponta por onde se lhes pegue.
Na corrida à presidência do Benfica parece valer tudo, como se os que discordam do atual presidente pudessem por isso ser considerados um bando de vende-pátrias que ousam não venerar o líder, ou este fosse, por sua vez, um tirano que não respeita ninguém e leva o clube à desgraça. Uns são os lambe-botas, que se espalham aí por todo o lado, os outros são os contestatários compulsivos, que estão sempre contra quem manda. São facilmente identificáveis, pelo que não lhes dar trela é o segredo.
Já o Sporting, não tendo eleições à vista, é como se tivesse, pois Godinho Lopes é alvo de facadas vindas de todos os lados, como se o clube de Alvalade se encontrasse em condições de viver na querela permanente, mergulhado num banho de ódios que tudo submerge e nada devolve à superfície.
Benfiquistas e sportinguistas, tendo evidentemente direito à diferença e até o dever do combate pelas ideias, ainda não perceberam que estando o País a atravessar uma crise profunda tudo pode ser destruído mais facilmente e mais depressa. Se da divergência de opiniões não resultar a luz das soluções e o caminho da união em torno de objetivos afinal comuns, mas apenas mais divisões fratricidas, mais confrontações espúrias e mais animosidades pessoais, ou seja, novas versões do antigo caos, as organizações estarão perdidas. 
Agrava o problema o facto de ter passado também o tempo em que as instituições resistiam e as marcas eram ou se julgavam eternas. Agora, este fogo queima um tecido que já não se regenerará. Pensem bem antes de espetar a faca. 

Canto direto, publicado na edição impressa de Record de 20 outubro 2012