Câmara de TV, um objeto cortante

Já com tantas relações político-familiares no Governo, havia necessidade que a nova secretária de Estado da Saúde fosse a mulher de um eurodeputado do PS? Não mandaria a prudência que a seguir à tomada de posse, em Belém, Rosa Zorrinho se moderasse nas manifestações de uma alegria mais própria de quem acabou de ganhar o Euromilhões? Quando se terá em conta que uma câmara de televisão é uma espécie de objeto cortante que pode dilacerar em segundos a imagem de uma pessoa?

O que aconteceu com a ex-presidente da Raríssimas é elucidativo. A instituição, de enorme relevância social, só existe porque uma mulher chamada Paula Brito e Costa acreditou e a ergueu. Depois, como infelizmente muitas vezes sucede, a visionária perdeu noção da realidade. Mas o que primeiro a condena é o que a televisão nos deu: imagens de petulância e considerações de uma falta de bom senso aterradora.

Patética foi igualmente a entrevista do ex-secretário Manuel Delgado, que só percebeu estar acabado após a transmissão do seu desarticulado discurso. O que lhe terá passado pela cabeça para decidir enfrentar a câmara, sem entender que Ana Leal já sabia tudo e só precisava que ele ajeitasse o pescoço para deixar cair a lâmina?

Antena paranoica, Correio da Manhã, 16DEZ17

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