Calou-se há dez anos uma voz incómoda: o “Tal&Qual”

Passam neste 28 de setembro dez anos sobre o dia em que a progressiva quebra de circulação – que em 2007 já se situava em menos de 10 mil exemplares por edição – levou ao silenciamento de um dos títulos mais independentes da imprensa portuguesa, que chegou, nas décadas de 80 e de 90 a registar vendas acima de 100 mil jornais: o Tal&Qual.

Fundado por Joaquim Letria, e adotando o nome de um programa de televisão de enorme sucesso, apresentado por aquele comunicador e travado pelo PS, o semanário nasceu de facto na noite de Santo António de 1980, num jantar em Alfama que juntou Letria a José Rocha Vieira, Hernâni Santos e Ramon Font.

O T&Q viveria momentos históricos: desde a ligação de Sá Carneiro a Snu Abecassis – primeira manchete do jornal – à denúncia do esquema em pirâmide de Dona Branca ou à revelação de que Marco Paulo tinha um cancro, passando pela fuga dos Cavacos, pela ocupação de um lugar na bancada do PSD no Parlamento ou pela investigação do casamento de Bárbara Guimarães com Pedro Miguel Ramos, em Punta Cana – e por outros igualmente relevantes.

Dirigi o Tal&Qual em 2001 e fui seu diretor editorial em 2002, anos já de resistência ao declínio e em que, com muito esforço, chegámos a dezembro com médias de vendas a rondar os 40 mil exemplares. Mas o crescimento da televisão privada logo tornaria dispensável um jornal que marcou o País. É a vida.

Parece que foi ontem, Sábado, 28SET17

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