Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Briosa para a história com 9 portugueses titulares


De: João
Morais [mailto:joaomorais@nagyconstroi.pt]
Enviada: segunda-feira, 21 de Maio de 2012
15:56
Para: Record – Chefia
Redaccao
Assunto: Académica – 9
portugueses titulares

Boa Tarde 

Antes de mais quero vos felicitar
pela capa com a vitória da Académica e a rima feliz e inspirada de “Briosa para a
História”
.

Sou vosso leitor e gostaria de ver
bem vincada e enaltecida por vós já que na televisão portuguesa não se fez
alusão a este facto importante: a Académica jogou a final com 9 PORTUGUESES
TITULARES
– mais: 2 suplentes são portugueses apenas entrou um
brasileiro para substituir o único sul-americano titular, Danilo por Diogo
Gomes. Está bem que escreveram “Os cinco emprestados em nove portugueses”, mas o
melhor que dizem é “…sinal dos tempos, ontem
a Académica entrou em campo em campo com cinco jogadores emprestados e nove
portugueses…”
, e eu pergunto, será uma
fatalidade?

De facto a Académica é a melhor
equipa genuína portuguesa e acho que vocês jornalistas deviam fazer uma campanha
séria e exaustiva neste sentido porque daqui a alguns anos não vamos ter
selecção portuguesa. Lembrem-se que no tempo do Figo, Rui Costa e Paulo Sousa todos começaram a
jogar nas equipas como titulares aos 18, 19 anos. E agora o que vemos? Os vice
campeões do Mundo (SIM VICE CAMPEÕES!)
esquecidos em
equipas menores. Ao menos que os mandem para Coimbra,
verdadeira escola de formação a todos os níveis (vejam pelo comportamento dos
adeptos…), onde começaram a singrar os emprestados Fernando Couto,
Carlos
Martins e muitos outros, todos os que por lá passaram cresceram
muito!

Eu que apoio sempre as equipas
portuguesas nas competições europeias, porque sou academista, também tenho que
vibrar pelas conquistas dos nossos melhores, mas pela primeira aconteceu-me um
facto estranho. É triste dizê-lo mas é verdade: no Chelsea-Benfica não estava
pelo Benfica e não me importei que fossem eliminados – como se este pudesse ser
o castigo para os clubes mudarem a sua política – deixarem de pensar só nas
negociatas e nas comissões dos milhões das transferências sul americanas – e
apostarem no que é nosso, que é do nosso sangue, apostar em exportar a valorizar
o que é nosso.

Óbvio que ter 2 ou 3 estrangeiros de qualidade em cada equipa
seria sempre bom, para puxar o nível para cima, um Hulk, um Aimar, um Schaars,
não sou fundamentalista, acho que esta regra seria a ideal. Lembram-se dos
primeiros “frangos” do Rui
Patrício
? Se não estivesse lá o Paulo Bento a continuar a apostar nele,
porque são preciso vários jogos a titular
para se ganhar confiança e estabilizar emocionalmente
, e fosse
o Jesus onde
estaria o nosso titular da selecção?   

Cabe a vocês jornalistas, como
charneira, com outra visão global e outra formação académica ter a coragem para
reafirmar esta necessidade. Peguem no exemplo da Académica, onde estaria agora o Adrien Silva (para mim
podem achar exagero, mas está ali um potencial Xavi Alonso), suplente e
desmotivado a cair no esquecimento quando tem que jogar um “Elias” que custou 9
milhões e não vale nem metade. 

Caros jornalistas, rompam o cerco,
porque há muitos que daqui a 10 anos vos vão agradecer. Este e-mail estará há
muito apagado, mas saberei sorrir e estar agradecido em silêncio. 

Nota: se quiserem e acharem
pertinente podem publicar que não me importo.     

Um
Abraço sincero e Melhores Cumprimentos

João
Morais