Breve olhar pelo país dos pataratas

O secretário de Estado das Comunidades está a ser criticado por ter aterrado em Paris cerca de 48 horas depois dos primeiros jornalistas portugueses terem chegado aos locais dos atentados.

As redes sociais estão carregadas de impropérios, como se um membro do Governo, ainda que “ajudante de ministro”, como o classificaria Cavaco Silva, não tivesse vida própria e o fim-de-semana já aprazado com os seus familiares.

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A verdade é que mal se viu livre desses relevantes compromissos, o dr. Xejário dirigiu-se ao aeroporto, levando debaixo do braço o dossier sobre a vida da porteira portuguesa, a quem depois transmitiu os mais profundos agradecimentos.

É bom, e reconforta-nos, ter um secretário de Estado assim, tão amigo da família e das porteiras.

Por seu lado, e apercebendo-se de que muito tardava uma palavra sua, o Ministro dos Negócios Estrangeiros fez enfim prova de hibernação, garantindo que, embora Portugal até agora tenha sido “poupado” a ataques terroristas, “não existem garantias absolutas” de que não seja um alvo. E acrescentou que, apesar desta sua brilhante e arguta conclusão, não existem motivos para pânico.

É bom, e tranquiliza-nos, ter um ministro assim, cuja sábia palavra é um bálsamo para as nossas inquietações.

Finalmente, prosseguindo a sua oportuna visita à Madeira, Cavaco visitou uma fragata portuguesa, a bordo da qual conheceu o projeto da empresa Ilhapeixe e dissertou sobre as vantagens da aquacultura para a redução das importações. E descobriu que existe agora na região “uma banana maior”!

É bom, e faz-nos confiar no futuro, ter um Presidente assim, preocupado com um Mundo que desaba sobre as nossas cabeças e com o País que definha, simplesmente porque está entregue a amadores e a pataratas.

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