Benfica: sistema é o dela lá dentro

Percebo menos de futebol do que Jorge Jesus e, como qualquer humilde adepto, muito menos do que José António Saraiva. E se o diretor do “Sol” revelou precisamente aqui, no seu último texto, que não concorda com o sistema de jogo do Benfica e que já colocou o problema por diversas vezes a Jesus, sem grande resultado, que direi eu que só estive com o técnico do Benfica numa ocasião, sem que ele me desse a mínima hipótese de o questionar sobre o magno tema: mas que raio de sistema de jogo tem o Benfica?

Quem chama teimoso a Paulo Bento não deve conhecer o enxerto em que Jesus foi feito porque, se conhecesse, saberia que discutir futebol com ele é o mesmo que levantar dúvidas ao Papa sobre os dogmas da Igreja. São muitos quilómetros de estrada e só outro caminhante vindo muito detrás na rota das estrelas, como o nosso José António – cujos textos não perco pelo menos há 43 anos, calcule-se como a Ordem do Vetusto nos condecora aos três! – consegue tratar tu cá tu lá estes capítulos mais encriptados da nobre ciência futebolística.

“Tu não sabes qual é o sistema do Benfica”, dizia Jesus, no lançamento do jogo de Coimbra, a um jornalista que tentava fugir às perguntas de chacha a que está condenado quem sabe só poder obter respostas de igual nível. Lá está, para entrar por certos labirintos, no futebol como na vida, há que ter quilometragem, muita quilometragem.

Tentemos humanizar o divino. Ontem, o Benfica mostrou de novo ser incapaz de fugir ao tal sistema que eu não sei qual é e que não permitiu ainda o acordo Saraiva/Jesus: passe magistral de Enzo a “abrir” o centro da defesa da Briosa e Nico a desmarcar-se, a dominar a bola como só os génios dominam e a desviá-la para a baliza. Aos 8 minutos, o Benfica tinha-a lá dentro, eis o sistema.

Canto direto, Record, 1DEZ14

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