Benfica sem TV (a primeira crónica de Pedro S. Guerreiro no Record)

A ameaça do Benfica à Olivedesportos é como a OPA que um dia Berardo lhe lançou. Não é para levar muito a sério. É um “bluff” para tentar subir o valor do contrato com Joaquim Oliveira. Mas não há força para desalojá-lo. Nem grande vontade.

Oliveira é um dos Mais Poderosos da Economia, lista que o Negócios publicou no verão. Ele tem a galinha dos ovos de ouro (os direitos televisivos) mas também a chave do galinheiro (os contratos), que conquistou por ser o “banco” de clubes ansiosos e falidos, a quem adiantou receitas.

O seu império da comunicação social está hoje dado como contrapartida de dívidas ao BCP. Mas, inteligente, Oliveira separou os direitos televisivos: são dele, só dele e são uma mina. Oliveira tem acordo com todos os clubes à exceção do Benfica até 2018 e direito de preferência por mais três anos – controla até 2021! Com o Benfica, o contrato em renegociação acaba em 2013 (depois deste mandato de Vieira…), com preferência por mais três anos. Tem o Benfica alternativa? Dificilmente. Só se fosse a PT, que já uma vez estacionou um camião de dinheiro à porta da Luz para ter o Benfica TV. Mas o preço é alto. E Oliveira é acionista da PT.

Estão em causa apenas 15 jogos do Benfica em casa. Porto e Sporting duplicaram os contratos para quase 15 milhões, o Benfica pede 40. Faria uma festa se chegasse aos 30.

Face ao início dececionante da época, o Benfica fez uma fuga para a frente – e levando tudo à frente. Com imaginação para incluir a Controlinveste. Mas é fogo amigo. No dia seguinte ao ataque, aliás, Oliveira viu o jogo do Hapoel no camarote de Vieira…

Vieira e Oliveira estão em braço-de-ferro com a esquerda e de braço dado com a direita. Interessa o valor do cheque. O resto é supositório mediático.

Abrir o jogo, crónica de Pedro Santos Guerreiro, diretor do Jornal de Negócios, na edição impressa de Record de 16 setembro 2011

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