Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Belém traçou o seu destino

Enquanto uns vibravam com o entusiasmo inútil dos velhos comícios, que só convencem os que já estão convencidos, Marcelo falava, no final da campanha, em Celorico de Basto – e na televisão – da sua avó Joaquina e da ligação à terra, combatendo com isso a tradicional abstenção no interior do País, afinal aquela que mais o poderia prejudicar.
No polo oposto, reinava o desnorte, com Maria de Belém já com a aura da derrota, sem muitos daqueles que não resistiram à proximidade da humilhação anunciada pelas sondagens e ao tiro no pé das subvenções vitalícias, esse escândalo fabricado e reavivado a poucos dias da eleição, por puro acaso como tudo o que sucede nos momentos oportunos.
Nas câmaras de tortura das redes sociais, ninguém foi mais flagelado do que Maria de Belém, primeiro por ser mulher e baixinha, depois por não ter o sex appeal, também político, de Marisa. Ainda, é certo, por haver acumulado umas avenças com o robusto salário de deputada e de o ter canhestramente justificado com o cumprimento da lei, esquecendo a ética, essa chatice. E finalmente, por ter abusado do seu lado agastado-sorridente ao considerar Almeida Santos o maior socialista vivo, punindo Soares e Sampaio pelo apoio ao inimigo. Traçou assim o seu destino – e 4% é um castigo duro mas justo.
Observador, Sábado, 28JAN16