Autarquias continuam a comprar canecas e galhardetes

Esta coisa da austeridade,
nos gastos inúteis mas também nas formas de pensar, que é aí que começa a
desgraça, devia ter chegado com a crise, em 2008, mas não. Lentos no
raciocínio, muitos portugueses tentam ainda escapar por entre os pingos da
chuva. É o caso de certas autarquias, que prosseguem o seu alegre esbanjamento
dos recursos públicos, encomendando “paletes” de livros e folhetos, camisolas e
bonés, canetas e canecas, medalhas e galhardetes.

Os concorrentes do “Preço
Certo”, da RTP1, “pagam” as suas viagens, feitas normalmente em viaturas de
câmaras ou juntas, oferecendo à “produção” e às “meninas” toda a cangalhada de
propaganda que lhes põem nas mãos.

E se é compreensível a edição
de livros ou a produção de artesanato para promoção da cultura e das
potencialidades locais, já a profusão de monos prova que a necessidade de
contenção de despesas não entra em algumas cabecinhas. Bem podem Fernando
Mendes e Miguel Vital gozar com aquela tralha – “olha que lindo!…” – que a
malta só entenderá, mesmo, quando lhe fecharem a torneira.

Antena paranóica, publicado na edição impressa do Correio da Manhã de 23 junho 2012

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