Artur, terça-feira é que é o dia



Pelo sexto ano consecutivo, Record atribuiu o Prémio Artur Agostinho, que foi agora recebido por José Mourinho, a personalidade do desporto que mais se distinguiu em 2010, segundo o critério dos responsáveis editoriais deste jornal. O treinador do Real Madrid sucede assim a Pedro Pauleta (2005), Luís Felipe Scolari (2006), Rui Costa (2007), Cristiano Ronaldo (2008) e Luís Figo (2009).

A cerimónia de entrega do troféu decorreu na capital espanhola, nas instalações dos merengues, e foi uma vez mais o patrono do nosso prémio anual a assumir o papel de protagonista, com a frescura dos seus… 90 anos.

É verdade, o antigo diretor de Record, o melhor e mais multifacetado comunicador português, comemorou ontem, no calor da sua magnífica família, a entrada no 91.º ano de vida. No ativo e em plena forma.

Em 2005, quando Record promoveu o reencontro com o nome mais carismático da sua própria história – e o seu regresso a casa – não esperava que o Artur, então com 84 anos, pudesse ainda vir a trabalhar desta maneira. E que tantos quisessem homenageá-lo, nas mais diversas circunstâncias – ontem foi a RTP Memória –, recuperando assim o tempo em que a intriga pseudo-revolucionária, a inveja e a maldade dos homens o tentaram destruir.

Mas sendo hoje uma figura consensual na sociedade portuguesa, com uma carreira inultrapassável e de méritos reconhecidos por todas as gerações, de algo se poderia Artur Agostinho queixar: o público reparara os erros do passado e devolvera-lhe o afeto e o aplauso que, em boa verdade, nunca lhe havia retirado, mas o País, onde estava o País que o submetera um dia à privação do exílio para poder trabalhar e acudir aos seus?

A resposta veio de quem deveria. Na próxima terça-feira, no Palácio de Belém, o Presidente Cavaco Silva entregará a Artur Agostinho a comenda da Ordem Militar de Sant’iago da Espada. E então sim, o trabalho estará feito.

Minuto 0, crónica publicada na edição impressa de Record de 26 dezembro 2010

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