Arruaça fardada

Entre os agentes e os energúmenos, fico sempre do lado da polícia. No domingo à noite, no Marquês de Pombal, a tropa de choque carregou sobre baderneiros profissionais, inimigos do futebol e do respeito pela vida em sociedade. Fez bem.

Claro que alguma comunicação social, a que se aproveita de situações dúbias e cavalga a demagogia, logo deu voz às lamúrias de meninos que, após partirem equipamentos públicos e insultarem polícias, se vieram queixar dos vergões das bastonadas, coitadinhos deles.

Coisa diferente é o acto cobarde de Guimarães, e uma situação mais grave por ter sido desencadeada por um subcomissário da PSP, que desonrou a instituição.

Não acredito em anjinhos e admito até que uma das vítimas tenha provocado o incidente. Mas ainda que assim haja sido, por que não foi identificada para a devida participação ao tribunal, e antes derrubada e espancada como se estivesse a pôr em perigo a integridade física de alguém? E o pai, que apenas acorreu em seu auxílio, por que levou dois-murros-dois do mesmo animal que fez descer depois o bastão sobre o homem caído?

Pior foi o pavor causado a uma criança, que não pode aceitar os ataques ao pai e ao avô, e passou a ver num agente um inimigo. A falta de respeito pelos seus direitos é, talvez, o aspecto mais chocante de um caso que exige consequências. Já temos baderneiros de sobra – os da polícia é correr com eles.

Observador, Sábado, 21MAI15

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