Ao leão em baixo tudo lhe acontece

Chegou, enfim, o primeiro jogo do Sporting da época pós-Bruno Fernandes e a oportunidade para começarmos a descobrir se o novo jogador do MU era, de facto, “meia equipa” do Sporting ou, ao contrário, uma espécie de eucalipto que exauria todo o terreno ao redor, não permitindo o crescimento de talentos ocultos.

Persiste a dúvida: pode ser que esse talento exista mas o problema está no tempo, que não corre a favor de Silas, do dr. Varandas e do Sporting. Na Pedreira, vimos uma equipa digna e esforçada, mas sem capacidade para fazer melhor. Nos últimos minutos foram bravos, com muita abnegação e algum infortúnio – o remate de Jovane Cabral, aos 90+2, que daria o empate, merecia mais sorte.

Sorte que, na verdade, anda longe. Como se não bastasse a ausência de Bruno e a lesão de Luiz Phelipe, ontem faltou também o baluarte Mathieu. E mais: Acuna está fora de forma, Eduardo não é o mesmo do Belenenses SAD e Sporar parece – o futuro dirá – não ter vindo acrescentar valor. Com Vietto no banco e Jesé de férias, Silas teve, e vai continuar a ter, de gerir com dor os recursos que restam, ainda por cima lendo e ouvindo notícias que o dão como treinador a despachar. É triste trabalhar assim.

“Está muito fácil bater no Sporting”, dizia Luís Neto, no final do jogo, indignado com o comportamento de Jorge Sousa. Tem alguma razão, pois estando em baixo tudo nos acontece. E a questão que se coloca é: quando cessarão, em Alvalade, os efeitos em cascata da desgraça provocada por um líder que perdeu o norte e por outro sem grande jeito para a coisa?

Novak Djokovic venceu o Open da Austrália – o seu 17.º triunfo em torneios do Grand Slam – recorrendo de novo a uma estratégia básica: “fazer-se de morto”. O tenista sérvio ultrapassa as suas piores fases durante os encontros entregando os pontos aos adversários, que se galvanizam e baixam a intensidade de jogo, caindo depois com estrondo quando o “verdadeiro” Novak retorna ao seu nível e os aniquila. Ontem, na final australiana, Dominic Thiem ganhou o segundo e o terceiro “set” – este por 6-2 – entrando no que se julgava ser a quarta e definitiva partida em alta, e “rebocado” pelo público. Mas a meio do “set”, Djokovic regressou ao mundo dos vivos e logrou o “break”, igualando o marcador e vencendo depois a quinta partida. Seguiu a mesma estratégia do ano passado, em Wimbledon, quando perdeu, por 6-1, o segundo “set” para Roger Federer, como se estivesse “acabado”, vindo a anular dois “matchpoints” no serviço do suíço (!) na quinta partida, que ganharia no “tiebreak”. Moral da história: enquanto faltar um prego no seu caixão, este tenista genial pode sempre voltar à vida… Que se acautelem os fregueses seguintes!

O último parágrafo vai para um futebolista de eleição, o 96 vezes internacional Bruno Alves, que aos 38 anos renovou o contrato com o Parma – sétimo no Calcio e com o internacional português, seu capitão, como titular. Chapeau!

Outra vez segunda-feira, Record, 3fev20

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