António Costa desprezou uma regra dos manuais

Desde que Carmona Rodrigues, em declarações ao Expresso, atribuiu a Fernando Medina a responsabilidade por uma cratera que se abriu na Avenida de Ceuta, que eu não me ria tanto como agora, com a zanga de compadres na candidatura à Câmara do Porto.
Começo por achar graça a Rui Moreira, que percebeu tarde que estava a ser embrulhado na trama da aparelhite partidária, sempre sequiosa na autarquia dos lugarzinhos que não consegue na vida profissional – que, aliás, raramente tem. Convencido de que é uma espécie de deus na Invicta, Moreira enxotou o PS e humilhou o principal rosto do partido no Porto, como se não tivesse de lhe pedir batatinhas em outubro – se quiser continuar a mandar sozinho – e pagar então por elas um preço mais elevado.
Imensa piada tem também o PS, que sai bastante ferido do amuo e precisa de voltar a recorrer a Manuel Pizarro, o kamikaze de 2013, que dificilmente melhorará os modestos 22% de há quatro anos. E não o digo pelo ar patusco de Pizarro – achávamos Centeno igualmente um cromo e ele lá se vai safando – mas porque as circunstâncias mais não lhe permitirão do que ficar em segundo e regressar ao regaço do amigo Moreira.
Quem não deve estar nada contente é António Costa, que paga com um fair play forçado e tático o desprezo por uma regra dos manuais: a que manda nunca se fazer um acordo com um homem que pinta o cabelo.
Observador, Sábado, 10MAI17
Partilhar

Os comentários estão fechados.