Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

António Costa encontrou o caminho

Custa a acreditar que nos anos 20 do século 21 exista quem se apresente aos eleitores de modo displicente, tipo “sou tão empático que todos me adoram”.

De forma geral, da política às estações de TV, ou se dispensam os consultores ou se pedem conselhos a curiosos que não sabem combinar a gravata com a camisa e com o casaco, quanto mais escolher o modelo dos óculos ou definir o corte do cabelo.

Ainda agora, dois candidatos à presidência do Benfica deram sinais de tonta negligência. Um deles não respondia a uma questão sem antes dizer “ouça” – António Costa é o “vamos lá ver” – e o outro surgia sempre de rosto oleoso e com pelos a sair do nariz, uma visão dos infernos. Não perderam por causa disso, mas deixaram uma triste imagem.

Refiro esses pormenores para saudar a última comunicação ao país do primeiro-ministro, que correspondeu a uma obrigação que o próprio PM por vezes minimiza: a de comunicar bem. E ao fazer acompanhar a explanação oral das novas medidas anti-covid pela apresentação gráfica que as sintetiza e simplifica – a exemplo do que sucedeu com Macron, dias antes – Costa fez serviço público, aproximando-se dos recetores da mensagem. Se não tiver sido uma exceção, encontrou o caminho.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 7nov20