Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Antes de um Adeus quase em inglês

“O tempo chega sempre, mas há casos em que não chega a tempo” – Camilo Castelo Branco

R&Ta
A revista Gente fez capa com a festa da vitória…

 

PauloA
…mas antes do festival já a Alcance antevia o êxito de Paulo de Carvalho

A 7 de Março de 1974, Paulo Carvalho vencia, com Adeus – o E Depois só viria a seguir – de José Niza e José Calvário, o Festival RTP da Canção, contrariando a votação paralela de um famoso programa de rádio, o PBX, que dava o triunfo a No Dia em que o Rei Fez Anos, de José Cid.

No mês seguinte, já em Brighton, Inglaterra, onde se realizaria o Festival da Eurovisão, a versão em inglês da canção portuguesa, que Paulo de Carvalho igualmente interpretava, agradou a músicos de outros países, o que conduziu à ideia de que se o Adeus fosse em inglês o resultado da nossa votação podia ser bem melhor. Em conferência de imprensa foi dada a novidade, o que levantou desde logo uma questão: teria a RTP autonomia para autorizar esse crime de lesa-Pátria? Não tinha, pelo que Carlos Cruz se ofereceu para tentar convencer a única pessoa que podia validar a proposta: Marcelo Caetano.

A falência da ousadia romântica é conhecida. Paulo cantou em português e, poucos dias depois, foi essa a senha para novo adeus, o de Marcelo.

Parece que foi ontem, Sábado, 12MAR15

Festival74
Em Brighton, Paulo de Carvalho, José Calvário e Carlos Cruz (que não surge na imagem) lançaram a ideia de se cantar em inglês