Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Antena paranóica: um pingo amargo

Gosto de empresários. Não dos especuladores, que não criam riqueza, mas daqueles que investem e geram postos de trabalho e receitas fiscais, contribuindo assim para o progresso do País. E gosto ainda mais dos empresários que não se limitam a ganhar dinheiro e intervêm na sociedade, com críticas aos desmandos do poder ou com acções que por vezes fazem a diferença. Gostava, por isso mesmo, de Alexandre Soares dos Santos, que fui vendo ao longo da última década, em todos os canais de TV, prevendo o descalabro, arrasando governações e advertindo que se impunha mudar de vida.

Agora, sinto-me traído, confesso, embora a ele lhe dê igual. Não por ter passado a sede da holding familiar para a Holanda, um acto normal de gestão, que a vida das empresas tem regras e não se compadece com hesitações. Mas apenas pela desilusão. Quando era preciso ser coerente com o discurso apocalíptico de anos e dar ao Mundo um sinal de confiança no futuro de Portugal, o sr. Santos só teve olhos para mais um pingozinho de lucro. E trocou-nos por um prato de lentilhas.

Antena paranóica, publicado na edição impressa do “Correio da Manhã” de 7 janeiro 2012