Antena paranóica: um pai perfeito

Gosto de programas populares, não tenho complexos. Mas confesso que me foi penoso assistir a parte do “directo” da última “gala” da “Casa dos Segredos”, da TVI, tarefa a que fui obrigado por puro dever de ofício.

Estamos, de facto, perante algo muito mau, já que ao optar-se por concorrentes de fraca qualidade – e dizendo isto estou a ser simpático – mas capazes de “cenas” que garantem audiências, se tornou praticamente impossível a missão dos apresentadores, que não conseguem espremer sumo daquela “fruta”.

A expulsão de Vasco constituiu o momento alto do serão dominical, em particular quando, após a saída da “casa”, o jovem acusou alguém de se ter posto a telefonar massivamente para o pôr na rua.

Júlia Pinheiro, que logo transformou o caso numa conspiração familiar, identificando o progenitor de Vasco, António Oliveira, como o autor da perfídia, inquiriu, trémula de indignação (cito de cor): “Mas que pai não gostaria de ver o filho triunfar na vida?”

Fazer aquelas figuras é… “triunfar na vida”? Valha-nos Deus, ou o FMI, que está mais na moda. Se já apreciava António Oliveira, agora fico solidário com ele: evitar que um filho dê barraca não é um gesto de inimizade mas um sinal de lucidez e um verdadeiro acto de amor.

Antena paranóica, publicado na edição impressa do Correio da Manhã de 23 outubro 2010

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