Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Antena paranóica: um confronto chocante

Nada como um feriado para quebrar as rotinas. E nesta quinta-feira pus-me a ver novelas, na SIC: a segunda metade do episódio de “Rosa Fogo”, made in Portugal, e a parte inicial da produção brasileira que se seguia, “Insensato Coração”.

O que poderei dizer do confronto entre dois estilos, duas competências, dois mundos? A telenovela nacional – grande papel o de Rogério Samora e bem, como sempre, Helena Laureano – mostra-nos um casting falhado (ai aquela “psicóloga”…) e uma direcção de actores deficiente, com desempenhos de um dramatismo exagerado, ao contrário de certas situações, cómicas de tão inverosímeis, e aí por culpa do guião.

Já na novela brasileira assisti a um diálogo brilhante – a começar pela qualidade do texto – entre Natália do Vale e António Fagundes, ambos longe do sex appeal de outrora, mas perto da perfeição interpretativa e da eternidade. Com eles, cada gesto e cada palavra têm um peso, o peso adequado. São sublimes.

Podemos ganhar muitos prémios, o que não poderemos é largar a nossa ancestral queda para encher chouriços.

Antena paranóica, crónica publicada na edição impressa do Correio da Manhã de 10 dezembro 2011