Antena paranóica: talento a menos na TV

António Barreto diz que uma estação de serviço público deve ajudar a melhorar a cultura das pessoas. Certíssimo. O problema está na dificuldade em criar programas para audiências razoáveis e ao mesmo tempo capazes de deixar ficar qualquer coisa nas nossas cabeças.

Começa pela incapacidade de encontrar alguém cujo discurso “sério” não nos deixe a dormir aos primeiros minutos. Temos aí o exemplo de José Hermano Saraiva, que não se retirou quando devia e se arrasta em monólogos que não honram o extraordinário comunicador que foi. E por que não parou? Porque não quis, claro, e porque não há substituto.

Enfrentamos um dilema: se o programa é ligeiro é quase sempre fútil, se tem conteúdo é pouco menos que intragável. E como se não bastasse que criatividade e protagonistas escasseiem, eis que também os lóbis continuam a travar oportunidades. Veja-se o caso daquele veterano comentador desportivo, de frases feitas e de “capacete” na cabeça – não se vá pensar que está a ficar careca. A televisão, como o país, precisa de ideias novas e novos talentos.

Antena paranóica, crónica publicada na edição impressa do CM de 17 setembro 2011

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