Antena paranóica: Sem contras e sem prós

Já apreciei mais o “Prós e Contras”, da RTP1, e o desempenho de Fátima Campos Ferreira, hoje muito prejudicado pela estagnação de um formato a reclamar urgente upgrade. Os prós e os contras são cada vez menos opostos, as opiniões surgem algo desgarradas, por vezes o vazio instala-se, a monotonia adormece-nos.

Não fosse a participação de Carvalho da Silva e de Fernando Ulrich, no último programa, e em menos de meia hora eu teria caído nos braços de Morfeu. O líder da CGTP consegue não ter um discurso encriptado, não repete meros slogans e sublinha já algo tão simples como a falta de condições mínimas e de dignidade no trabalho, uma catástrofe social que um dia alguém vai ter de combater – e esperemos que não da pior maneira.

Ouvir o presidente do BPI é um prazer. Desde logo porque ele destrói a velha imagem do banqueiro frio e distante, avesso à confrontação de ideias, alérgico à luz e às pessoas. Depois porque fala de forma clara, sem ambiguidades e sem receio de não ser politicamente correto. Há muito que Fernando Ulrich previra que iríamos ficar “contra a parede”. E se ninguém o ouviu é porque o autismo é o verdadeiro pai desta crise.

Prometo: se sobreviver à hecatombe, vou abrir conta no BPI.

Antena Paranóica, crónica de TV publicada na edição impressa de Record de 2 outubro 2010

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