Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Antena paranóica: rendição cor-de-rosa

A TVI deu ontem “show” na transmissão do casamento do futuro rei de Inglaterra, batendo claramente a concorrência, que se limitou a um acompanhamento mais modesto e mais barato.

A estação de Queluz não fez a coisa por menos e destacou cinco pesos-pesados para a reportagem de Londres: três jornalistas da informação dita “séria”, Judite Sousa, Júlio Magalhães e Cristina Reyna – sempre discreta e segura – e dois comunicadores mais “populares”, especialistas da área do divertimento, Felipa Garnel e Manuel Luís Goucha.

Esta aparente rendição de nomes de referência da televisão ao melhor estilo cor-de-rosa veio confirmar que não há bom ou mau jornalismo em função dos temas propostos, mas bom ou mau jornalismo quando se consegue ou não oferecer qualidade ao leitor ou ao telespectador, proporcionando-lhe o que procura por um motivo muito simples: é isso que lhe interessa.

Fiquei algum tempo, mais do que contava, preso ao “directo” e às comparações entre o desempenho de cada canal, apenas porque os enviados da TVI – e a eficaz tradução simultânea da cerimónia – me detiveram com informações adicionais, boa disposição e inatacável competência. Ver um trabalho bem feito é um dos prazeres da vida.

Antena paranóica, crónica publicada no Correio da Manhã de 30 abril 2011