Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Antena paranóica: os “faróis da deontologia”

Sou
fã do “Prós e Contras”, da RTP, que tem a vantagem do exercício do pensamento, mesmo que por vezes a escolha dos
participantes, ou dos que aceitam participar, mereça reservas. Como aconteceu
na última segunda-feira, em que se discutiu o futuro do jornalismo sem a
presença de pesos-pesados da experiência e da profissão.

Preferiu-se,
antes, recorrer aos habituais “faróis da deontologia”, cujo discurso é sempre
igual – sejam quais forem os momentos, as circunstâncias e os problemas.

Pedro
Santos Guerreiro e António Costa ainda rebateram os ferozes legionários do
jornalismo sacralizado, mas sendo directores de títulos de economia cedo
ficaram marcados como agentes do “negócio”. Sim, porque um jornalista “puro”
deve preocupar-se apenas, defendem esses radicais, com o seu mandato divino e
desprezar esse pormenor terreno do dinheiro necessário para os salários no
final do mês.

Valeu
Joaquim Vieira, com uma lucidez e um equilíbrio admiráveis, que nunca desistiu
de se fazer ouvir e colocou os “sábios da tribo” no seu lugar – sentados à
roda, a falar do etéreo, longe das pessoas e da realidade.

Antena paranóica, crónica publicada na edição impressa do Correio da Manhã de 3 novembro 2012