Antena paranóica: o triste papel de Vítor Gaspar

No último “Quadratura do
Círculo”, António Costa interpretou bem o sentimento quase generalizado dos
portugueses, envergonhados pela subserviência com que o ministro das Finanças,
Vítor Gaspar, foi “apanhado” a falar com o homónimo alemão, Wolfgang Schauble.

Senti o mesmo, aliás, quando
vi José Sócrates abraçar efusivamente Kadafi, com sorrisos largos que em nada
correspondiam ao estilo fechado para consumo interno. Mas compreendi a postura
porque o seu trabalho, como o de Vítor Gaspar, era o da defesa dos interesses
de Portugal.

O diálogo informal dos dois
ministros, em Bruxelas, captado pela câmara indiscreta, foi um dos muitos que sempre
acontecem naquele tipo de encontros. Ernâni Lopes já não está entre nós, mas
está Mário Soares. Ele que diga se não foi percorrendo a Europa de mão estendida
que nos conseguiram salvar da bancarrota, em 1983.

Vítor Gaspar fez um papel
triste? Fez. Mas fê-lo porque outros gastaram o dinheiro que não tínhamos e nos
levaram à falência. Fê-lo pelo País, com humildade e sacrifício. Estou-lhe
grato por isso.

Antena paranóica, publicado na edição impressa do Correio da Manhã de 18 fevereiro 2012

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