Antena paranóica: o “Plano inclinado” inclinou-se demasiado

Acabou o “Plano inclinado”, um “must” da SIC Notícias. Curiosamente, essa conversa sobre economia não chegou ao fim por ter cumprido o seu ciclo de vida, mas porque Mário Crespo e Medina Carreira se desentenderam antes da gravação e já não houve nada para ninguém.

O programa faz falta, apesar de Gomes Ferreira preencher bem a agenda da estação, ao apresentar entrevistas a convidados qualificados e ao produzir comentários próprios de indiscutível qualidade. E faz falta porque ali se contestava – algo cansativamente, é certo – a verdade oficial, não com a divagação espúria da guerrilha partidária, e sim com a exibição de números e factos que cedo anunciaram, à incredulidade instalada nas nossas cabeças, que o céu nos iria cair, como está a cair, em cima da cabeça.

O problema que conduziu à suspensão do “Plano inclinado” fazia parte do seu código genético. Afinal, tanto o “moderador” como o “cabeça de cartaz” não se distinguiam propriamente pela modéstia e pela contenção, estando apenas unidos por uma sempre evidente aversão a Sócrates e a este governo. E quando os respectivos egos resolveram enfrentar-se, o destino do debate ficou traçado. É pena porque a nuvem da desinformação ganhou novo fôlego.

Antena paranóica, publicado na edição impressa do “Correio da Manhã” de 5 março 2011

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